José Ramos-Horta destaca exemplo de Henrique Afonso em Timor-Leste

04 Abr 2020 / 12:17 H.

O Nobel da Paz de 1996, José Ramos-Horta, destacou o exemplo de Henrique Afonso em Timor-Leste e dos muitos que, não sendo timorenses, encaram aquela ilha como segunda casa. O “Pirata Madeirense” é como José Ramos-Horta apelida o velejador num texto que é escrito em pleno Estado de Emergência naquele país, decretado até 26 de Abril.

“O meu amigo Henrique Afonso, Pirata Madeirense, está entre nós há vários meses. Percorria o mundo, solitário. Antes deste nosso quase lockdown feito por iniciativa do próprio povo, eu o via quase todas as tardes ali no Restaurante Tavirense, do casal António e Helena, que casal mais acolhedor. A comida é cinco estrelas a preço muito razoável. As moças Timorenses que ali trabalham são muito eficientes. Outro casal que está por cá é o João, arquitecto, e a Maite, francesa. Deus os abençoou há um mês com um menino lindo. Não quiseram abandonar o país. O Director da Escola Portuguesa Acácio Brito, exemplo de liderança quando a escola foi invadida de repente por aguas do rio. Ele e o resto do pessoal salvaram as centenas de crianças a sua responsabilidade. Mais de 98% das crianças são Timorenses. E claro cá está o António Sampaio sempre na linha de frente. Há muitos outros, Portugueses, Australianos, Chineses, Indonésios, Japoneses, Coreanos, Brasileiros, etc”, refere o ex-presidente timorense, para depois falar do caso polémico que envolvem declarações de uma professora portuguesa, em Timor-Leste.

“Claro há sempre algum Timorense rufia, ignorante, q atribui o vírus a alguém de fora e diz barbaridades q só ignorantes sabem. Por eles eu peço desculpas. Esmagadora maioria deste povo é muito acolhedor, educado, disciplinado. Não tem havido assalto a lojas, mercados, actos de vandalismo, etc. Foi triste e injusto o que aquela professora portuguesa falou”; assumiu José Ramos-Horta.

Para quem não sabe, a docente exprimiu grandes preocupações entre a comunidade portuguesa que trabalha naquele país e que, tal como outros cidadãos estrangeiros, continuam a ver alvo de ofensas, sendo acusados por alguns timorenses de serem responsáveis pela chegada da pandemia a Timor-Leste, onde até agora está confirmado apenas um caso.

Leia aqui o testemunho de Henrique Afonso no dia em que foi decretado Estado de Emergência em Timor-Leste, país onde está ancorado desde Novembro. O madeirense já assinalou mais de um ano desta volta ao Mundo num veleiro, tendo zarpado da Madeira a 15 de Janeiro de 2019.