Continuem a galgar! Nós continuaremos a aplaudir
Há qualquer coisa de profundamente especial em ver os nossos a conquistar o mundo. Talvez seja aquele orgulho quase parental, mesmo quando não partilhamos laços de sangue. Talvez seja simplesmente a certeza de que, quando alguém da nossa terra triunfa, levamos todos um pedacinho dessa vitória ao peito. Seja o que for, é impossível ficar indiferente ao momento que a banda madeirense NAPA está a viver.
O início deste ano trouxe dois marcos que não são para qualquer um: Coliseu do Porto e Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Duas salas míticas. Dois palcos onde a história da música portuguesa já se escreveu muitas vezes. E, agora, também com sotaque madeirense.
Assisti ao concerto de Lisboa e confesso: fui curioso, saí rendido. Há bandas que sobem a palco com nervos à flor da pele. Os NAPA subiram como se estivessem na sala de ensaios lá de casa — mas com milhares de pessoas à frente. Naturais. Confiantes. Donos do momento. A presença em palco é segura, a interação com o público é genuína e as novas músicas encaixam como peças que sempre ali pertenceram. Não há pose forçada, não há exagero teatral. Há talento, trabalho e uma alegria contagiante de quem sabe que está exatamente onde deve estar.
E depois há o público. Dos fãs que acompanham a banda desde os tempos de “Men on the Couch” aos que chegaram mais recentemente com a onda de “Deslocados” — essa espécie de hino geracional de 2025 — ninguém quis faltar à chamada. E, ao contrário de certos objetos desportivos que desaparecem misteriosamente em jogos grandes, ali ninguém se escondeu. Cantaram-se refrões a plenos pulmões, levantaram-se telemóveis como se fossem isqueiros modernos e celebrou-se cada acorde como se fosse o último.
O ambiente? Uma mistura feliz de concerto, reencontro de amigos e celebração coletiva. Houve emoção, houve suor, houve abraços, houve aquele calor humano que só a música ao vivo consegue criar. Sentia-se que não era apenas mais um espetáculo. Era uma afirmação. Um “estamos aqui” dito em bom som e com casa cheia.
O sucesso dos NAPA não é obra do acaso. É o resultado de anos de persistência, de evolução musical, de uma identidade própria que não tenta imitar ninguém. E talvez seja isso que mais orgulha: ver uma banda da Madeira afirmar-se pela sua autenticidade, sem precisar de disfarçar origens ou diluir personalidade. Levam o nome da ilha longe — e levam-no bem.
Num país onde tantas vezes se diz que é difícil singrar fora dos grandes centros, é inspirador ver uma banda madeirense encher coliseus. É um sinal claro de que o talento não tem código postal. E de que, com dedicação e qualidade, o mapa torna-se pequeno.
Que venham mais palcos míticos. Que venham mais álbuns, mais canções que nos fiquem no ouvido e no coração. E, já agora, que venha essa edição em vinil — porque há discos que merecem rodar devagar, com tempo e cerimónia.
Para já, fica o aplauso. De pé. Sentido. Orgulhoso.
Parabéns, NAPA. Continuem a galgar. Nós continuaremos a aplaudir.