Este país não é para pobres
Já o afirmei e não me canso de repetir, este modelo de economia bateu no fundo. Podem chamar-me visionário mas as últimas manifestações populares pelo direito à habitação e custo de vida, em Portugal, Espanha, França , Albânia , Argentina, Irlanda, Países Baixos, Áustria e Bélgica, vêm dar-me razão. Terá que ser reestruturado a breve ou médio prazo. O povo percebeu, finalmente, que não pode ser o bombo da festa, pois, quando há crises tem que ser suportado por todos. Não dá mais para viver assim. A habitação é um direito consagrado artigo 65 da Constituição portuguesa e o Governo nem liga.
O custo de vida não pode ser superior ao que as pessoas, que vivem do seu ordenado, podem pagar. Antes as pessoas viviam em furnas e comiam milho todos os dias porque não vivíamos em democracia, agora vivemos num sistema democrático e continuamos a viver muito mal. É óbvio que esta, e futuras gerações, já não acreditam no futuro. Olhando a pobreza que grassa a cada dia, na mesma proporção que enriquece desmesuradamente meia dúzia de super ricos, diria mesmo que o Mundo não suporta pobres. Quem trabalha e enriquece o seu país, trabalha num regime de escravidão do século XXI . O futuro modelo económico que eu prevejo que terá de ser implementado, é que as pessoas que trabalham honestamente, ganhem o suficiente para fazer face ao custo de vida. Não pode ser os grandes capitalistas como o Alan Musk e outros grandes grupos económicos a controlar todos os setores da economia com uma finalidade evidente. Obrigar os cidadãos a se endividarem recorrendo ao crédito e obrigar o Estado a auxiliar a população através de subsídios, o que obriga também Os estados a recorrer ao crédito. Por sua vez os Bancos enriquecem dos juros que a dívida gera. Cito apenas os EUA, o país mais rico do mundo, que tem, em 2026, uma dívida astronómica de 125,80% em relação ao PIB. Resumindo: as dívidas dos países é que movimentam a economia, é por isso que a dívida tem que existir. Agora perguntam-me: Se todos os países devem, de onde vem o dinheiro? Não sou economista mas acho que é fácil de perceber; os maiores Bancos mundiais, com a manipulação da Casa da Moeda criam dinheiro virtual porque os juros da dívida é que sustentam a economia do mundo. Não sou entendido na matéria, apenas faço deduções juntando 2+2 mas se estiver errado aceito que me corrijam com uma explicação lógica dizendo de onde vem o dinheiro. Por isso reafirmo que tarde ou cedo, o atual modelo de economia terá de ser repensado.
O dinheiro está extremamente caro e assume um valor intrínseco na vida quotidiana e se não houver controlo governamental haverá levantamentos populares, manifestações violentas, quedas de Governos, acabando com a própria democracia. Tempos houve em que as pessoas morriam à fome porque eram reprimidas por um sistema policial feroz com controlo absoluto sobre as populações. Em democracia já não funciona assim. Ou o poder político controla os grandes grupos ou a democracia está, verdadeiramente ameaçada.
Como pode alguém, velhos ou novos, pagar renda por uma habitação cujo valor é superior ao seu vencimento mensal? Como podem os pensionistas que trabalharam uma vida inteira para ganhar um reforma de 400 euros que não chega para supermercado nem para medicamentos. Como podem os automobilistas ir a uma bomba de gasolina comprar combustíveis a mais de 2€ ao litro? Não estou a incluir transportes públicos e de mercadoria que contribuem para encarecer todos os bens de consumo. O cúmulo deste sistema económico, e o que dá suporte ao meu raciocínio, é uma simples passagem de avião da Madeira ida/volta para Lisboa ou Porto custar a módica quantia de 800€ quando uma viagem para Paris custa 39€ e para Cabo verde custa 79€, sim, estou a falar de avião.
É fácil concluir, que este sistema económico está montado para uma exploração desenfreada e para que os super ricos tenham sempre à mão, mão d’obra escrava e controlo absoluto sobre a economia. E não vale a pena os governantes aumentarem o salário porque o custo de vida fica sempre à frente. Quando em 2022 e 2023 o ordenado mínimo eram 350€, o poder de compra era igual ou superior ao que temos hoje (2026) quando se ganha 900€. Vale a pena aumentar os ordenado mínimo? Não, não vale. Tem que mudar é o modelo de economia. A exploração selvagem tem que ter um fim custe o que custar. É mais fácil controlar os “lobbies” do que os manifestantes em fúria. O Governo eleito pelo povo, tem que ter legitimidade para controlar o sistema económico. O modelo económico está esquematizado para controlar até o próprio Estado através dos juros da dívida. Está montado, até, para financiar guerras porque o dinheiro aparece aos biliões e sempre através de empréstimos, só que não sabemos de onde o dinheiro vem? Em relação a outros tempos, os trabalhadores não ganham mal, o custo de vida é que está sempre à frente.
Parabéns ao DN pela provecta idade de 150 anos. Uma boa prova de longevidade.