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Mãããããeeee… aquele “pequene” malhou-me

Já tinha saudades de uma boa história para catapultar o nome da Madeira para o todo nacional. Qual festivais, festas do vinho e da poncha, levadas, qual quê. O que leva o bom nome da nossa humilde terra lá fora é promoção a custo zero e acontece às portas da serra, dentro de uma ribeira. E tem a assinatura de uma mãe, tipo leoa, que viu a sua cria em perigo no Jogo da Final da Taça da Madeira entre os Júniores do Andorinha e a equipa B do Maritxx.

Coitado do meu tio Gabriel, presidente do Andorinha na altura da venda do filho da Dolores ao Nacional, que deve andar às voltas no caixão no jazigo de família! A ver a peixeirada montada na Zona 4. Tio, não se preocupe que foi um caso isolado, este da mãe a salivar a entrar no campo para trocar o juízo pelo de um pequeno que ainda não tem a barba toda. Já o da PSP fora destes jogos nada tem de isolado, pelo que soubemos a medida da nova direção da Associação é para ficar. Se der no porco, como se diz por aqui, chamamos a BIR (Brigada de Interrupção da Regabofe). Neste caso não chegaram a tempo, mas também neste quero acreditar que foi um caso isolado.

Queria estar no campo, nesse dia. A ver como se anima um jogo de juniores. Como a senhora já ultrapassou a idade de cheerleader e tinha um desejo enorme de andar aos saltos dentro de um campo de futebol, resolveu mostrar ao pequeno quem é que manda no pedaço. É por isso que os pequenos depois não chegam a “Cristianes Ronaldes”. Por acaso alguma vez viram a Dolores andar à batatada (por mais que lhe apetecesse aquecer o focinho a alguns)? Viram-na, nos anos de Alvalade, a invadir o campo para bater numa criança que deu uma canelada às pernas mais valiosas do mundo?

Quando muito, entrava no balneário, sem nenhum adepto ver, aquecia o rabo a um que tivesse encostado o dedo no seu “menine” e depois murmurava baixinho: “está quentinho… quentinho…” como na publicidade sítio do costume.

Que saudades tenho dos tempos em que ia fazer a cobertura dos jogos de São Vicente no Campo da Boaventura e ser a única mulher presente. Os homens nem gritavam, eu chegava a desconfiar que estava na missa. Era uma calmaria só. Porrada, mesmo, havia nos derbies do Câmara de Lobos com Machico e às vezes até era o árbitro Emanuel Câmara que “atiçava”. Outros tempos. Há mais de 30 anos, quando eu trabalhava na secção de desporto desta casa e de quinze em quinze dias atravessava o Campanário, a Serra d’Água e o Rosário para escrever a crónica dos jogos. Na estrada antiga. Talvez fosse bom a mãe do jogador também dar umas voltas pela Madeira Velha ou fazer umas levadas, ir ao Mercado Quinhentista ver os modelitos, mas que não volte, pela integridade física de quem gosta de futebol, a entrar num estádio. Quanto mais não seja, um dia destes alguém se chateia e ela fica proibida de entrar em estádios, como alguns ficam em discotecas. E gostaria de lhe pedir… veja o vídeo e o que o seu minuto de mãe-leoa gerou e a vergonha que o seu filho deve ter passado.