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Prigozhínssimo

Prigozhin é um oligarca. Dos muitos criados pelo regime. Proprietário de restaurantes e empresas de catering regularmente fornecia o Kremlin com contratos de milhões. Antes passou pela cadeia onde esteve 10 anos. É detentor da fábrica de “trolls” e de “fake news” que manipula as redes sociais e terá interferido nas eleições americanas. E formou o grupo de mercenários Wagner.

Esta unidade paramilitar foi para a Ucrânia apoiar a Rússia e, após dura batalha, conquistou Bakhmut. A partir daqui começa a manifestar clara oposição à hierarquia das forças armadas russas. Acaba por retirar-se da zona ocupada deixando-a aos cuidados do exército, enquanto regressava à capital, onde esperava ser recebido como herói da guerra.

Inesperadamente, no domingo, protagonizava a rebelião que, qual efeito boomerang, virava os que combatem a soldo contra o poder instituído e marchavam desafiantes para Moscovo. Continuando a acusar as chefias militares e anunciando, como novidade, a pretensão de destituição de Putin. Em episódio do género “agarrem-me, senão eu bato”.

Entrou em campo o “adjunto” de serviço que toma conta do “departamento” da Bielorrússia, Lukashenko, levando o perigoso Prigozhin a exilar para o seu território, resolvendo o problema ao presidente russo. Até ver. Mas a mostra de fragilidade do regime ficou.

Um grupo de mercenários conseguiu colocar o poderio bélico do Kremlin em estado de alerta e de nervosismo surpreendente. O radical Medvedev que tanto ameaçara o Ocidente com o uso de armas nucleares acabou desabafando o quão perigoso seria se caíssem nas mãos de bandidos. Nas mãos de bandidos já estavam, poderiam ter ficado nas mãos de outros piores, oriundos das cadeias do país. Mas, quem os soltou?