Falou, está falado!
O ministro falou e disse. Embora nada do que se ouviu e ficou a saber, ate ou desate este nó que nos aperta desde as promessas feitas há anos, o ministro ladeado pelos sábios que o confortam e abanam a cabeça à mínima frase mais composta e recheada de certeza duvidosa, não desiste de nos querer convencer que o mundo novo se abre cada vez mais, e que já se notam melhorias quer no emprego, quer nos bolsos disponíveis para a retoma do mercado e da economia, e que por isso o país vai no bom caminho. Só é necessário ter fé, acreditar na palavra dada, que será palavra cumprida. Em casa já nos reunimos em festa, pois vamos começar a poder pagar as despesas que entram na caixa de correio ou por baixo da porta. Estamos todos disponíveis para o festim e emborcar uns copos e uns coiros de pata preta, já que nenhum tem rendimento certo e seguro, devido á Lei-Off que enche os cofres dos patrões que também prometem devolver-nos ao trabalho pago como deve ser e se impõe. A mãe sempre a mãe, lá conseguiu aguentar uns trocos e alguma côdea para este dia de mais um discurso, e umas promessas que vinham agarradas para nos consolar, e que a secretária não se esqueceu de as por à frente do nariz do ministro para este as anunciar com pompa e circunstância. O problema mais presente e na ordem do dia, continua sendo a peste que corre por aí e não nos liberta da máscara, que pretende defender-nos da doença, que não mata logo, já que todos acabamos por morrer de mal que já vinha de trás. Assim nos é dito no relatório oficial lido pelos porta vozes das somas dos casos sobre infectados e com desfecho trágico. Morreu o velho em casa ou no asilo, mas agora já se lhe junta o jovem que ainda não frequentava tais lugares, nem albergues, mas que bebia uns copos por bares com gente saudável e ainda ria como quem sabe rir à vida. sentado à mesa com a família que junta, saboreava os tais coiritos e com que calava a fome que por lá já andava a roncar. Ronco que não era de bicho de pata preta mas de homem com família em desespero, com uma máscara pregada na cara, que não tinha a qualidade da exibida na cara do ministro e dos seus assessores. A da vítima tinha mais pregas do muito uso que a falta de pão lhe pregou. Não morreu de covid, mas, segundo o relatório depois lido pelo tal canal da DGS, morreu de doença que já se lhe tinha acumulado desde que ficou desempregado. Desta vez a culpa é da epidemia que faz parte do país há anos, e sem vacina à vista para tal mal!
Joaquim A. Moura