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Ao ritmo de “hashtags”

Acertemos o passo, ajustemos o ritmo, adequemos a dança... Já! Para que este flashmob colectivo resulte

Parecemos andar à procura da música certa, uma que dê para que muitos se juntem à dança, todos bem coordenados. Percebo a intenção mas não gosto do que sinto, sem falar de que duvido da eficácia, até pela lógica subjacente.

Esta espécie de “flash mob” colectiva, pensada ao ritmo de hashtags populares que estamos a experienciar, tem sido aliás um martírio. A música foi mal escolhida, o casting um desastre, os ensaios não resultaram, os artistas não estavam preparados e nem o maestro se é um só. O resultado, está visto, saiu todo descoordenado.

Vamos lá esmiuçar um pouco a coisa...

#vaificartudobem – já me enjoa, confesso. Desde logo porque é mentira mas rivaliza bem com o #naoháausteridade, o que não deixa de ser curioso para quem vê ordenados reduzidos em 1/3 e negócios a 0. Não vai ficar tudo bem, evidentemente! Que alguma coisa fique, já não era mau, mas convinha sermos um pouco mais consequentes...

#tomalámaisumIMIzinho – quando se anunciam medidas sem cuidar de saber se a estrutura existente é capaz de dar seguimento atempado ou capaz, o resultado não pode ser bom. Muito fazem as equipas nos Bancos, na Seg. Social ou no IDE mas a verdade é que a única entidade que mostra capacidade de manter a sua voracidade é a AT, sem mácula, falhas ou atrasos. Pena não terem ficado eles encarregues do cumprimento das medidas prometidas...

#umamãocheiadequasenada – no início surpreendeu-me mas, passados dois meses e meio, já só me angustia. Aos que deviam ser os verdadeiros artistas desta história - as empresas - pediram-se adiantamentos, planos de pagamento, juras de fidelidade com as suas equipas. Papéis e contra-papéis, carimbos e assinaturas, garantias e avales, com sociedades mutualistas pelo meio a analisar linhas Covid com base em balancetes de 2019. E eu a achar que o princípio de substituição de receita presente por dívida futura já era errado...

#eagora? – o layoff está a acabar; as moratórias estão para acertar e ajustes vários para fazer sem qualquer linha do Adaptar. Não sabemos quando vamos abrir nem muito menos para quantos clientes; só temos a certeza que serão muito poucos. Aviões são um problema, assim como os números do bicharoco nos mercados de origem mas temos de abrir, porque se não morreremos da cura.

Acertemos o passo, ajustemos o ritmo, adequemos a dança... Já! Para que este flashmob colectivo resulte, a tempo de nos conseguirmos safar minimamente das consequências desta pandemia.

E, já agora, #estoufartodesertratadocomoumcriminoso. É comprida, eu sei. E já com a limitação de caracteres ultrapassada mas é um bocado o resumo de como me sinto, por estes dias...

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