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Coronavírus Mundo

Milicianos e traficantes impõem recolher obrigatório em favelas do Brasil

EPA/Antonio Lacerda
EPA/Antonio Lacerda

Milicianos e traficantes do estado brasileiro do Rio de Janeiro impuseram um toque de recolher obrigatório às comunidades de favelas daquela região de forma a travar a disseminação do novo coronavírus, segundo o portal de notícias G1.

De acordo com moradores das favelas de Muzema, Rio das Pedras e Tijuquinha, localizadas na zona oeste do Rio de Janeiro, as mensagens foram enviadas pelas redes sociais, e indicam à população que não saia de casa depois das 20:00 (hora local, 23:00 em Lisboa).

“Atenção todos os moradores de Rio das Pedras, Muzema e Tijuquinha! Toque de recolher a partir de hoje 20:00. Quem for visto na rua após este horário vai aprender a respeitar o próximo!”, diz a mensagem divulgada pelo G1.

“Queremos o melhor para população. Se o Governo não tem capacidade de dar um jeito, o crime organizado resolve”, indica uma outra mensagem.

Até ao último domingo, o Rio de Janeiro tinha 186 casos de coronavírus, dos 1.546 registados em todo o Brasil, sendo o segundo estado mais atingido, atrás de São Paulo.

A covid-19 já chegou também às favelas, com a comunidade da Cidade de Deus, também na zona oeste do Rio de Janeiro, a registar no último fim de semana o seu primeiro caso positivo, situação que preocupa moradores e especialistas, devido à falta de recursos básicos para enfrentar a pandemia.

“A chegada do vírus nas favelas deveria ser alvo de um planeamento estruturado por parte da prefeitura e dos governos estadual e federal porque, se tudo nos falta, a tendência é que isto se alastre de forma a que o controlo, que as entidades governamentais estão a tentar manter, seja perdido”, afirmou à agência Lusa Jota Marques, morador da Cidade de Deus.

A falta de água canalizada está entre os problemas enumerados, o que inviabiliza os mínimos da higiene básica, como uma eficaz lavagem de mãos.

“O nosso grande temor, pensando nas periferias do Brasil, é a falta de saneamento básico, que vai prejudicar não apenas a prática de prevenção, mas também prejudicar na hora de diminuir o contágio. Por exemplo, aqui, na região da Cidade de Deus, não há água canalizada. Como é que os moradores não infetados poderão fazer a sua higiene pessoal, e como é que os infetados se vão cuidar neste processo?”, questionou Jota Marques.

Apesar do isolamento domiciliar ter sido recomendado como medida preventiva contra o novo coronavírus, Jota Marques, que é também conselheiro tutelar daquela região, assegura que tal é impossível para a maioria dos moradores de favelas, que vivem em “barracos” de reduzidas dimensões.

“Impossível ficarem em isolamento. Estamos a falar de regiões onde as pessoas vivem em barracos, onde não tem como se isolar. Estamos a falar de um barraco onde, num só espaço, está a cozinha, a sala de estar e o quarto. Quase ninguém mora sozinho. Há, no mínimo, dois a três membros em cada família, a conviver num espaço que é do tamanho de um quarto de uma casa normal”, descreveu Marques à Lusa.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 345 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 15.100 morreram.

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