Líbano apela à ajuda internacional para ultrapassar crise financeira

06 Abr 2020 / 14:01 H.

O presidente libanês, Michel Aoun, apelou hoje à comunidade internacional para ajudar o país a ultrapassar a crise financeira que vive há meses, exacerbada pela propagação do novo coronavírus.

O país, muito endividado, anunciou em março o seu primeiro incumprimento de pagamento, após vários meses de declínio das reservas em divisas estrangeiras e de uma depreciação da moeda nacional no mercado paralelo.

A propagação da doença covid-19 faz temer consequências desastrosas para uma economia já muito pressionada.

O atual governo, formado em janeiro após meses de contestação popular contra o poder, estava a trabalhar num plano de resgate económico antes da pandemia ter paralisado o país, com 541 casos registados, incluindo 19 mortes.

Hoje, o chefe de Estado expressou perante os embaixadores do Grupo Internacional de Apoio ao Líbano (GIS na sigla em francês), que reúne ONU, Estados Unidos, China, França, Alemanha, Itália, Rússia, Reino Unido, União Europeia e a Liga Árabe, o seu receio de um completo desmoronamento.

“Tendo em conta a gravidade da situação financeira atual e as pesadas consequências económicas para os libaneses e os refugiados, o nosso programa de reforma precisa de um apoio financeiro externo, nomeadamente dos países amigos e do GIS”, declarou Aoun.

Em dezembro, o GIS tinha condicionado qualquer ajuda financeira à formação de um Governo “eficaz e credível” capaz de realizar reformas “urgentes”, várias vezes adiadas por anteriores executivos.

“O Líbano preparava-se para lançar vários projetos para resolver as suas crises económica, financeira e social no momento em que a epidemia atingiu o mundo. Foi assim obrigado a anunciar o estado de emergência sanitário, o que travou em certa medida o lançamento e agravou a sua crise”, explicou o presidente.

“Por isso, toda a ajuda internacional é bem-vinda”, adiantou, precisando que o “plano (de resgate) financeiro e económico estava quase concluído”.

Aoun pediu um desbloqueamento da ajuda de 11,6 mil milhões de dólares (10,7 mil milhões de euros) prometida em abril de 2018 numa conferência internacional em Paris patrocinada pela França.

Aquele montante nunca foi entregue, devido à não aplicação das reformas prometidas por Beirute como contrapartida para a ajuda.

O Líbano tem uma dívida de 92 mil milhões de dólares (85 mil milhões de euros), equivalente a 170% do seu produto interno bruto (PIB), uma das taxas mais elevadas do mundo, e 45% da população vive abaixo do limiar da pobreza.

O pequeno país acolhe 1,5 milhões de refugiados sírios.