Coronavírus já provocou 2.801 mortes

Eis o boletim da epidemia no início de mais um dia

27 Fev 2020 / 08:26 H.

A nível global, o balanço provisório da epidemia do coronavírus Covid-19 é de 2.801 mortos e mais de 82 mil pessoas infetadas, de acordo com dados de 48 países e territórios.

Das pessoas infetadas, mais de 33 mil recuperaram.

Além de 2.744 mortos na China, onde o surto começou no final do ano passado, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França, Hong Kong e Taiwan.

A Organização Mundial de Saúde declarou o surto do Covid-19 como uma emergência de saúde pública de âmbito internacional e alertou para uma eventual pandemia, após um aumento repentino de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão nos últimos dias.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) registou 25 casos suspeitos de infeção, sete dos quais ainda estavam em estudo na quarta-feira à noite.

Os restantes 18 casos suspeitos não se confirmaram, após testes negativos.

No seu primeiro boletim diário sobre a epidemia, divulgado na quarta-feira, a DGS indicou que “de acordo com a informação atual, o risco para a saúde pública em Portugal é considerado moderado a elevado”.

O único caso conhecido de um português infetado pelo novo vírus é o de um tripulante de um navio de cruzeiros que foi internado num hospital da cidade japonesa de Okazaki, situada a cerca de 300 quilómetros a sudoeste de Tóquio.

Estadia em Portugal de pessoas que vêm de áreas afetadas sem restrições

A Direção-Geral da Saúde (DGS) informou hoje que não existem restrições à estadia em Portugal de crianças, jovens e adultos que regressem de uma área de transmissão ativa do novo coronavírus (Covid-19), mas faz recomendações.

Numa nota publicada na sua página da Internet, a DGS sublinha que não há restrições para quem regresse de área com transmissão comunitária ativa do novo coronavírus como o Norte de Itália, China, Coreia do Sul, Singapura, Japão ou Irão.

No entanto, a DGS aconselha que durante 14 dias essas pessoas estejam atentas ao aparecimento de febre, tosse ou dificuldade respiratória, devendo medir a temperatura corporal duas vezes por dia e registar os valores.

Aconselha também a verificarem se alguma das pessoas com quem convivem de perto, desenvolvem sintomas (febre, tosse ou dificuldade respiratória) e caso apareça algum dos sintomas referidos (no próprio ou nos seus conviventes), não devem deslocar-se de imediato aos serviços de saúde.

A DGS recomenda também as pessoas a ligarem para o número da Linha Saúde 24 (800 24 24 24) e a seguir as orientações indicadas.

“Lavar frequentemente as mãos, com água e sabão, esfregando-as bem durante pelo menos 20 segundos e reforçar a lavagem das mãos antes e após a preparação de alimentos ou as refeições, após o uso da casa de banho e sempre que as mãos estejam sujas”, são outras recomendações da DGS.

As pessoas devem também, segundo a DGS, usar em alternativa, para higiene das mãos, uma solução à base de álcool, usar lenços de papel (de utilização única) para se assoar, deitar os lenços usados num caixote do lixo e lavar as mãos de seguida e tossir ou espirrar para o braço com o cotovelo fletido, e não para as mãos.

A DGS recomenda ainda evitar tocar nos olhos, no nariz e na boca com as mãos sujas ou contaminadas com secreções respiratórias, permanecer em locais fechados e muito frequentados nos 14 dias após o regresso e evitar o contacto físico com outras pessoas.

Dinamarca regista primeiro caso, homem regressara do norte de Itália

A Dinamarca anunciou hoje o primeiro caso de contaminação com o novo coronavírus, um homem que regressou do norte da Itália, um caso que as autoridades dizem não ser grave.

“O homem voltou de umas férias de esqui na Lombardia com sua mulher e filho na segunda-feira, 24 de fevereiro, [e] sofreu desde então de tosse e febre (...). O homem foi testado positivo, mas os resultados dos testes da mulher e filho são negativos”, informou a agência de saúde pública dinamarquesa em comunicado.

O indivíduo voltou para casa, onde está confinado com a família, mantendo contacto diário com um hospital em Roskilde, a leste de Copenhague.

Segundo a televisão pública TV2, trata-se de um dos seus funcionários.

As autoridades de saúde do país, que atualmente não planeiam controlar os viajantes que entram no país, disseram na terça-feira que “a probabilidade de casos importados para a Dinamarca aumentou (...), mas que o risco de infeção [devia] ainda assim ser considerado baixo”.

As autoridades apelaram às pessoas que regressem da China, de partes da Itália (Emília-Romanha, Lombardia, Piemonte e Vêneto), Irão, Coreia do Sul, Japão, Hong Kong e Singapura, e apresentem sintomas do vírus, a entrarem em contacto com o centro de saúde, de forma a ser garantido o seu reencaminhamento para um serviço que providencie o teste e respetivo tratamento.

Seis hospitais no país de 5,8 milhões de habitantes foram designados pelas autoridades de saúde como suscetíveis de acomodar pessoas infetadas pelo vírus.

Estados Unidos detetam primeiro caso de contaminação local

Os Estados Unidos detetaram o primeiro caso de contaminação local pelo coronavírus Covid-19, com o número de infetados a aumentar para os 60, noticiaram os ‘media’ norte-americanos esta quarta-feira.

O paciente em questão, que não viajou recentemente para o exterior nem esteve em contacto com um caso de coronavírus confirmado, vive no norte do estado da Califórnia, de acordo com o jornal Washington Post, que citou informações do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano.

De acordo com o diário, os funcionários do CDC começaram a rastrear os contactos mantidos pela pessoa afetada para descobrir como pode ter sido infetado e quem mais poderá ter sido exposto.

Com a confirmação deste novo caso de coronavírus, o número total nos Estados Unidos aumentou para 60.

A informação foi tornada pública logo depois do condado de Orange, no sul da Califórnia, perto de Los Angeles, ter declarado o estado de emergência de saúde local para combater o surto do novo coronavírus, tornando-se na segunda localidade no estado a tomar medidas urgentes, após a cidade de São Francisco.

No mesmo dia, o Presidente norte-americano indicou o vice-Presidente, Mike Pence, para a coordenação da resposta à epidemia do novo coronavírus nos EUA, apesar de considerar que o risco para o país é “muito fraco”.

Donald Trump fez o anúncio durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, em Washington, na qual apareceu rodeado por diversos dirigentes de serviços e agências sanitárias.

O secretário da Saúde norte-americano, Alex Azar, que falou após Trump, preveniu que o risco de propagação do Covid-19 nos EUA podia “evoluir rapidamente”.

“O grau de risco é suscetível de evoluir rapidamente e pode-se esperar ver mais casos nos EUA”, salientou.

Já na terça-feira, o CDC tinha prevenido os norte-americanos para que se preparassem para um surto da doença.

Mais 29 mortes na China

A China anunciou hoje mais 29 mortos devido a infeção pelo coronavírus Covid-19, uma queda face ao dia anterior, ao mesmo tempo que apareceram 433 novos casos, informaram as autoridades de saúde do país.

O número de novos pacientes na China continental, que exclui Macau e Hong Kong, registou assim um aumento de 7%, em comparação com o dia anterior, enquanto o número de mortes caiu 44%.

Segundo os dados atualizados pela Comissão Nacional de Saúde da China, até à meia-noite de hoje (16:00 de quarta-feira em Lisboa), o país somava um total de 2.744 mortos e 78.497 casos confirmados.

Entre os casos confirmados, 43.258 continuam ativos, entre os quais 8.346 estão em estado grave. Mais de 32.400 pessoas já receberam alta após superarem a doença, um aumento de 9%, face a terça-feira.

A mesma fonte acrescentou que, até ao momento, 652.000 pessoas foram colocadas sob observação, após terem tido contacto próximo com os infetados, entre os quais 71.500 ainda estão a ser acompanhados.

O número de pessoas suspeitas de estarem infetadas pelo novo coronavírus fixou-se em 2.358, detalhou a mesma fonte.

Na província de Hubei, o epicentro da epidemia, que acumula 84% dos casos e 96% das mortes, o número de novos casos fixou-se hoje em 409, ao mesmo tempo que morreram 26 pessoas, a maioria em Wuhan, capital da província.

Entre os 39.755 casos atualmente ativos em Hubei, 7.984 encontram-se em estado grave.

Os números oficiais revelaram que, no resto da China, houve 24 novos casos e três mortes, nas províncias de Heilongjiang e Henan e na cidade de Pequim.

A China soma 95% dos casos de infeção pelo novo coronavírus a nível mundial.

Pelo menos 22 mortos e 141 pessoas infetadas no Irão

O Irão elevou hoje para 22 o número de mortos devido ao surto do coronavírus, registando ainda 141 pessoas infetadas com o Covid-19, noticiou a agência estatal IRNA.

O anterior balanço apontava para 19 mortes e 139 casos. Um gráfico publicado pela mesma agência permite perceber que o vírus foi identificado em 20 das 31 províncias do Irão.

A província mais atingida é Qom, com 63 casos confirmados, segundo os dados oficiais.

Na quarta-feira, o Irão acusou os Estados Unidos de difundirem “o medo” à volta do coronavírus, um dia depois do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, ter apelado ao Irão para “dizer a verdade” sobre a epidemia no país.

A própria organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) acusou o Irão de ocultar informações sobre a propagação do Covid-19, lamentando igualmente a repressão sobre os jornalistas que publicam informações independentes.

A polícia responsável pela luta contra a cibercriminalidade no Irão já deteve 24 pessoas por, alegadamente, divulgarem “rumores alarmistas” ‘online’ sobre a propagação do novo coronavírus no país, indicou a agência semioficial ISNA.

As autoridades de Teerão já impuseram restrições à livre circulação no país para pessoas infetadas ou suspeitas de estarem infetadas.

O ministro da Saúde iraniano anunciou também “restrições de entrada” em vários lugares sagrados xiitas, incluindo o Santuário de Fatima Masumeh em Qom (centro), cidade foco da doença no Irão, e o mausoléu de Imam Reza em Mashhad (nordeste), a segunda cidade do Irão e um grande centro de peregrinação.

Nas áreas infetadas, o encerramento das escolas será prolongado por períodos de três dias, enquanto o das universidades foi prorrogado por uma semana (a partir de sábado, primeiro dia útil da semana no Irão).

Arábia Saudita suspende entrada de peregrinos para Meca e Medina

A Arábia Saudita suspendeu hoje temporariamente a entrada de peregrinos que visitam a mesquita do profeta Maomé e os lugares sagrados do Islão em Meca e Medina, bem como turistas de países afetados pelo coronavírus Covid-19.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita publicou uma lista de medidas para “prevenir e eliminar” a expansão do novo coronavírus, que inclui a “suspensão temporária da entrada no reino para os propósitos da ‘umra’”, uma peregrinação a Meca que pode ser realizada a qualquer altura do ano.

O Ministério também informou que a entrada no reino com vistos de turista está impedida a pessoas de países afetados pelo novo coronavírus.

No final do ano passado, o país árabe introduziu novos vistos no quadro do despertar turístico do reino, ultraconservador, uma medida que facilitava a entrada no território após décadas de isolamento.

A Arábia Saudita abriga os lugares mais sagrados do Islão, como a cidade sagrada de Meca.

A suspensão foi anunciada quando faltam alguns meses para o ‘hach’, a grande peregrinação anual e um dos cinco pilares do Islão.

Até o momento, a Arábia Saudita não registou casos de coronavírus no território, embora alguns dos seus cidadãos residentes em outros países tenham testado positivo desde o início do surto, que já afetou a maioria dos países do Médio Oriente.

Nesta semana, o Covid-19 expandiu-se por toda a região e causou uma onda de suspensões de rotas aéreas e marítimas, especialmente entre os demais países árabes e o Irão, mas também começou a afetar ligações com Itália, Coreia do Sul e Tailândia.

A China espera ter o surto do cornavírus Covid-19 sob controlo no final de abril, disse o chefe da equipa de médicos especialistas da Comissão de Saúde da China, o pneumologista Zhong Nanshan.

“A China está confiante de que vai controlar o surto, em termos gerais, até ao final de abril”, disse Zhong, numa conferência de imprensa, em Cantão, a capital da província de Guangdong (sul).

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