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Voluntarista e inconsequente

O Presidente da Câmara Municipal do Funchal (PCMF) enviou um e-mail ao Primeiro Ministro Britânico (PMB) procurando convencê-lo que de que a Madeira é um destino “seguro” para os turistas britânicos em face da atual pandemia, o que os dispensaria de cumprir quarentena no regresso a casa. Entendo a frustração do PCMF depois de o Primeiro Ministro (PM) apresentar o Algarve como a zona do País mais “segura” e menos afetada pela pandemia ignorando, como de costume, que a área territorial de Portugal excede em muito a do retângulo que vai do Minho ao Algarve e abrange também a Madeira e os Açores. Foi mais uma tirada do PM que se insere nos seus “joguinhos políticos”, como quando na visita à Autoeuropa tornou público o seu apoio a uma nova candidatura do atual Presidente da República sem que o mesmo tenha ainda sequer oficializado essa candidatura. Além de mesquinho este tipo de discurso divisionista dos governantes ao promover uma zona do País em detrimento de outras conforme o maior ou menor grau com que a pandemia as atingiu, como também fez o nosso Secretário Regional da Saúde, é perfeitamente inconsequente, porque o que determina se um país cumpre ou não critérios de segurança são os índices de propagação do vírus e não apelos patéticos. O vírus afeta-nos a todos direta ou indiretamente e quem teve a sorte de não ter adoecido com a Covid 19 não sabe o que o futuro lhe reservará pelo que o combate ao vírus terá de ser encarado com verdadeiro sentido de união e como um desígnio nacional. Já agora e tendo em conta o manifesto interesse do PCMF no reatamento da operação “ferry”, não teria sido mais oportuno o envio de um e-mail ao PM exigindo o cumprimento das obrigações da República para com as ultraperiferias nomeadamente a RAM neste caso do “ferry”? Teria de certeza mais cabimento do que o e-mail enviado ao PMB para tratar um assunto que transcende as suas competências de autarca e que não passou de uma ação voluntarista e inconsequente.

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