Taxistas voltam a protestar nas ruas para impedir que ‘lei Uber’ entre em vigor

15 Set 2018 / 03:10 H.

Os taxistas voltam a ir para a estrada em protesto, na próxima quarta-feira, com o objetivo de impedir que a lei que regula as plataformas eletrónicas de transporte como a Uber ou a Cabify entre em vigor.

Este será o quarto grande protesto contra as plataformas que agregam motoristas em carros descaracterizados e que viram a lei de regulamentação da sua atividade ser aprovada, depois de muita discussão pública e no parlamento, em 12 de julho.

A legislação foi promulgada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em 31 de agosto.

A entrada em vigor acontece em 01 de novembro, mas o setor do táxi marcou a manifestação precisamente com a intenção de que esta não venha a ser aplicada.

“[Vamos] com objetivos bem definidos. Entendemos que a lei é desnecessária, injusta e que, a ser aplicada, põe em causa milhares de postos de trabalho”, disse, em declarações à Lusa, o presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), Carlos Ramos.

São esses “milhares” que são esperados no dia 19 em três cidades.

A partir das 05:00, as viaturas começam a chegar à Praça dos Restauradores, em Lisboa, para ocupar a Avenida da Liberdade e a fila prolongar-se-á até à Avenida Fontes Pereira de Melo, a Avenida da República “e o que for preciso para os táxis pararem em protesto”, afirmou o presidente da Associação nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio de Almeida.

Ao contrário dos outros três protestos que aconteceram em 2015 e 2016, quando a chamada ‘lei Uber’ começou a ser idealizada pelo Governo, o da próxima quarta-feira não será uma marcha lenta, mas antes uma sequência de táxis ‘estacionados’ na faixa de rodagem, com a devida autorização policial.

No Porto, as viaturas concentram-se na Avenida dos Aliados a partir das 06:00 e em Faro o início do protesto está agendado para as 07:00 na Estrada Nacional 125-10, junto ao aeroporto.

A intenção de fazer paragem no Marquês de Pombal, no centro da capital, é que não foi aceite pelas autoridades e, conforme explicou Carlos Ramos, as restrições vão ser respeitadas pelos taxistas - ao parlamento “só irá uma comitiva de meia dúzia de carros, uma imposição da polícia”.

“Queremos marcar uma posição pública. Se a lei for aplicada, põe em causa muitos pequenos empresários. Vamos continuar a lutar pelos nossos interesses”, disse Carlos Ramos, adiantando ter sido enviado um requerimento a pedir uma reunião com os deputados.

No parlamento, os representantes do setor do táxi vão pedir aos deputados que seja iniciado o procedimento de fiscalização sucessiva da constitucionalidade do diploma e que, até à pronúncia do Tribunal Constitucional, se suspendam os efeitos do diploma aprovado, “por forma a garantir a paz pública”.

Um dos principais ‘cavalos de batalha’ dos taxistas foi o facto de na nova regulamentação para as plataformas estas não estarem sujeitas a um regime de contingentes, ou seja, de observar um número máximo de carros por município ou região, como acontece com os táxis.