Portugal “não tem ainda a política que precisa” para “avançar a sério”

Líder do PCP, Jerónimo de Sousa, diz que é preciso “ultrapassar os problemas estruturais que se mantém e agravam”

18 Nov 2018 / 01:31 H.

O secretário-geral do PCP considerou ontem que Portugal “não tem ainda a política de que precisa para pôr o país a avançar a sério e “ultrapassar os problemas estruturais que se mantém e agravam”.

“Todos sabemos das limitações da atual solução política para dar resposta aos problemas de fundo do país e assegurar um rumo sustentado de elevação das condições de vida dos trabalhadores e do povo”, disse Jerónimo de Sousa, ao fazer um balanço dos últimos três anos de governação do PS.

O líder comunista, que falava ne encerramento da V Assembleia da Organização Regional do Litoral Alentejano do PCP, no pavilhão de Feiras e Exposições de Santiago do Cacém (Setúbal), reconheceu que, apesar dos avanços “o que temos conseguido está aquém do necessário”.

“São avanços que vão em contraciclo com a política de intensificação da exploração, de liquidação de direitos e de retrocesso social dominante da União Europeia, em relação à qual o governo minoritário do PS continua ligado nas suas opções e orientações, tal como PSD e CDS”, afirmou.

Dando como exemplo a evolução da situação no Alentejo “no plano económico, social ou cultural”, o secretário-geral do PCP defendeu ser “urgente romper com as políticas do passado e dar um novo rumo à vida política nacional”.

“Uma política que aposte na produção nacional, na sua diversificação, esse problema central e primeiro para resolver muitos outros problemas que enfrenta o desenvolvimento do país e esta região do Alentejo em particular”, realçou.

Perante uma plateia de dezenas de delegados que participaram nos trabalhos da assembleia regional, Jerónimo de Sousa criticou ainda as opções do Governo em culturas de produção superintensiva na zona de regadio do Alqueva.

“O Governo projeta medidas para as grandes explorações, anuncia apoios para as produções que interessam aos industriais e promove outras culturas, na zona do regadio de Alqueva, com a produção superintensiva do olival e do amendoal, assente na utilização maciça de pesticidas e na exploração de mão de obra estrangeira em condições de quase escravatura”, disse.

É necessário, segundo Jerónimo de Sousa, que o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva seja “usado para assegurar a nossa soberania alimentar, promover melhores condições de vida e de trabalho e o desenvolvimento do Alentejo”.

Referindo-se à proposta de Orçamento do Estado para 2019, Jerónimo de Sousa voltou a sublinhar o papel do PCP “no aumento extraordinário das pensões de reforma” e na “reposição do subsídio de Natal para todos os trabalhadores e reformados”.

“Por vontade do PS os avanços mais marcantes não existiriam”, disse o líder comunista, que elencou um conjunto de medidas consideradas “fruto da persistência do PCP” como os manuais escolares gratuitos, a extinção do pagamento especial por conta e o aumento das prestações sociais.