Portugal apresenta “plataforma inédita” com oportunidades de emprego para luso-venezuelanos

09 Out 2018 / 13:07 H.

O Governo português apresentou hoje na Venezuela uma “plataforma inédita” com entre 18 mil e 20 mil oportunidades de emprego para luso-venezuelanos que planeiam viver em Portugal.

“É uma iniciativa pioneira, porque pela primeira vez o Instituto de Emprego e de Formação Profissional (de Portugal) estabelece um programa específico para cidadãos portugueses e lusodescendentes fora do espaço da União Europeia”, disse à agência Lusa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro.

A apresentação foi feita pelo governante e pelo vice-presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional, Paulo Feliciano, nas cidades de Barcelona e Caracas, no âmbito de uma visita de seis dias que José Luís Carneiro está a efectuar à Venezuela.

A plataforma IEFP Venezuela (https://iefponline.iefp.pt) foi desenvolvida em cooperação entre a Secretaria de Estado do Emprego, tutelada por Miguel Cabrita, e a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, disse José Luís Carneiro.

“Foi feito um mapeamento de oportunidades de trabalho no nosso país, do norte ao sul do país, identificando sectores de actividade económica que estão hoje com dificuldades de mão-de-obra, desde pessoas com baixas qualificações, até pessoas com altas qualificações profissionais”, disse.

Segundo o secretário de Estado, o resultado foi “um universo de cerca de 18 mil oportunidades”, pelo que o Governo decidiu lançar “este programa, pioneiro, na Venezuela, dadas as circunstâncias de vida por que estão a passar os portugueses” que vivem neste país.

De acordo com José Luís Carneiro, desde jovens trabalhadores com as mais elevadas qualificações, até trabalhadores que estejam ligados ao sector do comércio, da restauração, da hotelaria, da electricidade podem registar-se no IEFP Venezuela para terem “uma oportunidade de vida com dignidade, com questões de remuneração muito adequadas àqueles que são hoje os objectivos do trabalho remunerado com dignidade”.

“Daí que para nós seja muito importante e seja uma das medidas mais emblemáticas lançadas aqui na Venezuela por altura desta visita. A única condição para optar para esse programa é que sejam cidadãos portugueses ou lusodescendentes com origem na Venezuela e que tenham nacionalidade portuguesa. A nacionalidade portuguesa é uma condição essencial”, frisou.

Por outro lado, precisou que o portal faz parte das medidas do primeiro-ministro, António Costa, para as comunidades portuguesas e está incluído no Orçamento do Estado, actualmente em discussão.

O secretário de Estado acrescentou que o Governo gostaria de no futuro alargar este programa a outras comunidades portuguesas no mundo.

O vice-presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional de Portugal disse à Lusa que nunca tinham sido disponibilizadas oportunidades de emprego “para ninguém de fora de Portugal e do espaço da União Europeia”.

“Portanto é a primeira vez que criamos condições para que os portugueses que residem fora da União Europeia tenham possibilidades de se candidatar às ofertas de emprego que existem em Portugal”, referiu.

Segundo Paulo Feliciano, depois de uma análise prévia dos currículos, os serviços entram em contacto com o candidato, recolhem informação adicional e se o perfil corresponder aos requisitos da oferta, o instituto faz a ponte com o empregador “para que possa haver depois a colocação da pessoa nessa oferta”.

Além das áreas disponíveis referidas pelo secretário de Estado, o responsável citou a indústria metalomecânica, automóvel, eletrónica, agricultura, transportes, logística e também tecnologias de informação.

“Os requisitos variam com o tipo de profissão e nível de qualificação que exige”, explicou, precisando que há processos mais simples e outros que requerem uma “certificação profissional ou habitação académica”.