Oferta de casas volta a cair enquanto procura continua a cresce

Lisboa /
13 Dez 2016 / 05:00 H.

A oferta de casas nos mercados de compra/venda e de arrendamento voltou a diminuir em Portugal continental, enquanto a procura continuou a crescer em ambos os mercados, segundo o mais recente inquérito ‘Portuguese Housing Market Survey’ (PHMS).

A diferença de ritmo entre procura e oferta tem “pressionado em alta” quer os preços de compra/venda de habitação, quer as rendas, revelou o inquérito PHMS realizado em outubro, com base nas respostas de 150 inquiridos de empresas do setor imobiliário.

No mercado de compra/venda de casas, as três regiões analisadas de Portugal continental - Lisboa, Porto e Algarve -- registaram um contínuo crescimento da procura e “uma nova quebra nas instruções de venda”.

“Este é o terceiro mês em que o volume de ofertas que chegam ao mercado cai”, apurou o inquérito PHMS, concluindo que o dinamismo registado entre procura e oferta tem-se refletido “sobretudo nos preços (que continuam a aumentar), já que, por agora, ainda não está a afetar as vendas”.

Sobre a compra/venda de casas, o número de transações continuou a crescer em outubro, registando-se, neste mês, “o aumento mais acentuado desde setembro de 2015”.

Já no mercado de arrendamento, a procura também manteve a tendência de crescimento, contrastando com “uma oferta em contração por parte dos proprietários”.

À semelhança do mercado de compra/venda, o desequilíbrio entre a oferta e a procura teve impacto no mercado de arrendamento, uma vez que voltou a “impulsionar as rendas, que sobem há 18 meses consecutivos”.

Em relação às expectativas para o mercado de compra/venda, prevê-se que “as vendas aumentem no curto prazo e que os preços sigam uma rota de crescimento, quer a curto, quer a longo prazo”.

Os empresários do setor imobiliário, inquiridos no PHMS, antecipam “a possibilidade de uma subida elevada de preços em Lisboa”, nos próximos 12 meses, no mercado de compra/venda. Já a nível nacional, perspetivam que “os preços cresçam cerca de 4% ao ano, nos próximos cinco anos”.

No mercado de arrendamento, os inquiridos anteveem que “a procura de produtos para arrendamento se possa reduzir nos próximos três meses”.

“O claro decréscimo nas novas construções e, ao mesmo tempo, a orientação dos novos investimentos essencialmente para reabilitação e para fins não residenciais” são alguns fatores para esta redução contínua da oferta de casas, afirmou, em comunicado, o diretor da empresa de informação Confidencial Imobiliário, Ricardo Guimarães.

Já o economista do Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS) Simon Rubinsohn considerou que a procura de habitação deverá continuar em terreno positivo, devido à “melhoria contínua no mercado de trabalho” e às últimas estimativas de crescimento da economia portuguesa.

No entanto, o economista defendeu que vão ser “necessários ainda mais progressos para continuar a sustentar um crescimento sólido da procura”.

O PHMS é um inquérito mensal realizado em parceria entre a Confidencial Imobiliário e o RICS, para publicação de um Índice de Confiança e de Expectativas nas regiões metropolitanas de Lisboa, do Porto e do Algarve.

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