Marcelo pede que não se façam generalizações sobre episódios de violência

23 Jan 2019 / 06:30 H.

O Presidente da República pediu hoje para que não se façam generalizações nem em relação aos cidadãos nem às forças de segurança, ao ser questionado sobre episódios de violência registados nos últimos dias na Grande Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa começou por responder que “o Ministério Público abriu um inquérito para apurar se há ou não comportamentos criminais censuráveis”, e lembrou que isso é o que acontece num Estado de direito democrático.

Mesmo que venham a ser apurados casos criminais censuráveis, “não devemos generalizar”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas esta tarde na varanda do Palácio de Belém, em Lisboa.

“[Não se deve generalizar] Nem em relação aos cidadãos, que têm um papel importante e que estão integrados na sociedade portuguesa e dão o seu contributo para a sociedade portuguesa nem relação às forças de segurança, que têm um papel importante num Estado de direito democrático”.

Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que o país está a viver um período pré-eleitoral, este ano realizam-se três eleições (europeias, regionais na Madeira e legislativas), em que “as reflexões sobre estes factos entram na discussão eleitoral geral”.

Referindo que estas reflexões entram na discussão eleitoral geral, o chefe de Estado disse esperar “que haja a noção de que não há, do ponto de vista da democracia, nada que seja excecionalmente positivo em generalizar comportamento isolado ou pontuais no quadro do debate político”.

A PSP reforçou hoje o policiamento com elementos da Unidade Especial de Polícia na Bela Vista, em Setúbal, e em algumas zonas de Loures e Odivelas (distrito de Lisboa), após incidentes registados durante a noite, com o lançamento de “cocktails Molotov” contra uma esquadra e o incêndio de caixotes e de várias viaturas.

Em comunicado, a PSP informou que continua as investigações a estes incidentes, “nada indiciando, até ao momento, que estejam associados à manifestação” de protesto contra uma intervenção policial no bairro da Jamaica, no Seixal (Setúbal).

Após a manifestação em frente ao Ministério da Administração Interna na segunda-feira, em Lisboa, quatro pessoas foram detidas na sequência do apedrejamento de elementos da PSP por participantes no protesto, convocado para dizer “basta à violência policial” e “abaixo o racismo”.

Este protesto ocorreu um dia depois de incidentes em Vale de Chícharos, conhecido por bairro da Jamaica, entre a PSP e moradores, de que resultaram feridos cinco civis e um polícia, sem gravidade.

O Ministério Público e a PSP abriram inquéritos aos incidentes no bairro da Jamaica.

Os quatro manifestantes detidos em Lisboa vão ser julgados sumariamente em 07 de fevereiro.