Marcelo critica “cegueira” face às alterações climáticas, mas elogia Portugal

20 Mai 2019 / 22:02 H.

O Presidente da República criticou hoje a “cegueira” de decisores políticos a nível mundial face às alterações climáticas, mas elogiou Portugal, em contraponto, considerando que se verifica um “consenso” nesta matéria, mesmo em período de campanha eleitoral.

Marcelo Rebelo de Sousa falava na Culturgest, em Lisboa, na cerimónia de entrega do Prémio Pessoa 2018 ao biogeógrafo, investigador e professor universitário Miguel Bastos Araújo, distinguido pelo seu trabalho nas áreas da biodiversidade e das alterações climáticas.

À saída, questionado pela comunicação social se entende que Portugal deveria decretar o estado de emergência climática, como fizeram o Reino Unido e a Irlanda, o chefe de Estado manifestou-se convicto de que “os decisores políticos portugueses estão muito atentos e, se houver necessidade de dar um passo desses, o darão”.

Antes, contudo, referiu que essa decisão “depende naturalmente de quem tem poder executivo” e argumentou que “noutros países isso aconteceu porque se atingiram patamares e se ultrapassaram patamares, em termos de Acordo de Paris e daquilo que eram os grandes objetivos, muito preocupantes”, ou seja, “é uma decisão que tem muito a ver com a especificidade de cada país”.

“Eu penso que Portugal está, nesta matéria, felizmente, bem, porque temos consenso. Vejam que, em campanha eleitoral, como fora de campanha eleitoral, não há divergência sobre este tema”, considerou Marcelo Rebelo de Sousa.

No seu discurso na cerimónia de entrega do Prémio Pessoa 2018, o Presidente da República utilizou a expressão “cegueira” para descrever o comportamento que “muitas vezes tem caracterizado os decisores políticos económicos e sociais” face às alterações climáticas, “na sua incapacidade de ver o estado do mundo à sua volta e a necessidade imperiosa de repensar comportamentos, políticas, modos de vida e consumo”.

“Neste passo, não posso deixar de sublinhar o contraste entre o consenso existente no domínio versado na sociedade portuguesa e a posição de decisores responsáveis a nível mundial que teimam em não querer ver, que teimam em manter um discurso absurdo e deslocado da realidade, que teimam em não respeitar os compromissos internacionais, que teimam em sobrepor discursos internos eleitorais àquilo que é o futuro do mundo”, acrescentou, sem nomear ninguém.