Lesados BANIF pedem audiência com o Presidente da República

Lisboa /
09 Nov 2018 / 15:01 H.

Os lesados do BANIF desejam ser recebidos pelo Presidente da República, tendo para tal feito chegar o pedido formal a Belém, na passada terça-feira (6 Novembro), aguardando agora uma resposta.

A iniciativa dos lesados BANIF (representados pela associação ALBOA) surge na sequência das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa aquando da visita ao Funchal, onde prometeu ir “inteirar-se do assunto”.

Intenção esta subjacente ao pedido de audiência ALBOA, que pretende “informar cabalmente o Chefe do Estado da situação dos lesados BANIF”, que na carta ao Presidente classificam de “contornos humanitário e até dramáticos”

“Em determinada altura - lembra a ALBOA na carta -, quando o BANIF já se encontrava intervencionado pelo Estado, entendeu a Administração do Banco empreender uma recapitalização pública. E foi essa altura que o Departamento Comercial do BANIF transmitiu orientações aos seus serviços bancários para abordarem os pequenos aforradores da instituição a fim de os convenceram a aplicarem as suas poupanças, muitas vezes de toda uma vida, em compras de Obrigações do Banco, com o argumento de que seria um investimento garantido e seguro, tão seguro como na CGD, já que o Banco estava nacionalizado”.

“Esta campanha, de contornos persuasivamente insistentes a tocar o agressivo, foi executada na Madeira, nos Açores, no Continente e nas Comunidades de Emigrantes portuguesas (com prevalência para as da Venezuela, África do Sul e Costa Leste dos EUA) junto de pessoas na sua esmagadora maioria modestas, de escassos estudos e sobretudo de baixíssima literária financeira”, acrescenta a missiva.

A ALBOA sublinha que “ao contrário do BES/Novo Banco, em que houve crime de falsificações de contas, no BANIF é o bom nome do Estado que está em causa, pois foi à sombra da sua garantia que se realizaram as transacções”.

A isto acresce que, “aquando da venda do BANIF ao Santander-Totta, e contra a vontade do banco espanhol (que desejava poder alargar-se aos mercados da Madeira, Açores e Comunidades Portuguesas de Emigrantes), o Estado, incompreensivelmente, não permitiu a transmissão das referidas Obrigações, que ficaram retidas no ‘banco mau’. Nova responsabilidade do Estado neste penoso processo!”.

É “nesta situação, faz este Natal 3 anos, que os muito milhares de Lesados BANIF se encontram hoje em dia, enganados em nome do Estado, prejudicados pelo Estado, andando de “Ponces para Pilatos” ao sabor das conveniências partidárias, cheios de vãs promessas mas espoliados como na primeira hora, desesperados”, concluem os lesados BANIF na carta ao Presidente..