Federação Nacional dos Médicos espera “nova postura negocial” por parte da nova ministra

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15 Out 2018 / 08:40 H.

Num comunicado dirigido esta segunda-feira à imprensa, a Federação Nacional dos Médicos (FENAM) fez uma análise da actual situação dos médicos e do SNS, manifestando a esperança de que a substituição do Ministro da Saúde possa corresponder a uma “nova postura negocial” por parte do Governo.

“A FNAM, tendo entretanto tomado conhecimento da substituição do Ministro da Saúde, cumprimenta desde já a nova ministra, Marta Temido, e espera que esta mudança possa corresponder a uma nova postura do Ministério da Saúde: de aposta no Serviço Nacional de Saúde, de respeito e dignificação do serviço público, dos médicos e a um novo e sério processo negocial”, refere a nota.

Sobre o anterior ministério, a FNAM fala em “completo desrespeito pela carreira médica e pelos seus profissionais”. “Este governo tem-se recusado a ver o evidente: o Serviço Nacional de Saúde (SNS) é mantido apenas pelo esforço dos médicos e dos outros profissionais de saúde que prestam cuidados à população, trabalhando em condições adversas, devido à falta de recursos humanos e materiais”, frisa.

Sobre a constituição de Centros de Responsabilidade Integrados (CRIs), a FNAM sublinha que o modelo proposto pelo Governo “não só desrespeita alguns dos direitos laborais básicos, como horários de trabalho e férias, como também, nesta sua nova formulação, privilegia os critérios de produtividade sem qualquer preocupação pela qualidade dos cuidados a prestar aos nossos doentes”.

A FNAM também vê com grande apreensão a contra-reforma em curso dos Cuidados de Saúde Primários com a manutenção dos ‘Mega-Agrupamentos de Centros de Saúde’, a gestão de comando e de controlo dos organismos centrais e regionais, as quotas ínfimas para as Unidades de Saúde Familiar de modelo B e a ausência de condições de trabalho na grande maioria das Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados e das Unidades de Saúde Pública nos merece a maior discordância”.

Outras criticas prendem-se com “a contínua recusa do governo em descongelar a carreira médica, atrasando deliberadamente a contagem do tempo de serviço, bem como a atitude enganadora em volta dos médicos, que aumentaram o tempo de trabalho, é inaceitável pela FNAM”.

Recorde-se que o primeiro-ministro propôs, este domingo, a nomeação de Marta Temido para nova ministra da Saúde, em substituição de Adalberto Campos Fernandes, o que foi aceite pelo Presidente da República.

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