Fabricantes de alimentos para animais apostam na redução da pegada ambiental

07 Jun 2019 / 03:07 H.

As empresas de alimentos para animais definiram como meta reduzir o impacto ambiental e estão a promover o projeto ‘Mediterranean Product Environmental Food Print’ (PEFMED) que mede e classifica, de forma voluntária, a pegada ambiental do setor.

Em declarações à Lusa, o secretário-geral da IACA -- Associação dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais, Jaime Piçarra, explicou que Portugal é o primeiro país europeu a implementar esta ferramenta, o PEFMED, através de um projeto piloto realizado numa empresa portuguesa.

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Ambiente, assinalado na quarta-feira, o secretário-geral da IACA sublinha que este é um dos contributos do setor para ter um impacto positivo e mitigar a pegada ambiental.

O PEFMED considera os impactos de um produto ao longo do ciclo de vida, desde o cultivo e aprovisionamento de matérias-primas, passando pela transformação, transporte, utilização, até à eliminação e reciclagem.

Esta iniciativa industrial, na bacia mediterrânica, pretende contribuir para tornar o setor mais amigo do ambiente, inovador e transparente através de uma certificação ambiental.

Jaime Piçarra salientou que a adesão da IACA a este projeto integra-se na estratégia da Federação Europeia de Fabricantes de Alimentos Compostos e na Visão 2030 da Associação que assenta em três eixos, sendo o primeiro ao nível da segurança alimentar, em que, através de um programa em conjunto com a Direção-geral de Veterinária se controlam as matérias-primas que chegam a Portugal para que sejam o mais seguras possível para os animais.

O segundo eixo assenta na nutrição animal de precisão em que a preocupação é com a sua saúde e bem-estar para atingir objetivos como a redução da utilização de antibióticos.

O terceiro pilar é a sustentabilidade baseada em instrumentos como o PEFMED, metodologia validada pela União Europeia, para se mitigar os impactos ambientais, reduzir o desperdício e contribuir para a redução de emissão dos gases com efeitos de estufa.

Apesar de Jaime Piçarra realçar que o setor não é poluente, admite que as empresas “têm a consciência que são uma indústria importante em termos de custos de produção de carne, mas todas as atividades têm impacto na libertação de CO2” (dióxido de carbono).

“Cerca de 45% do setor tem impacto ambiental na produção pecuária. Queremos reduzir esse impacto o mais possível”, apontou o secretário-geral da IACA. Por isso, a associação está a adotar medidas e assumir a sua quota-parte de responsabilidade através, por exemplo, do PEFMED.

A adoção de medidas que minimizem o impacto ambiental, como esta ferramenta, é uma das respostas do setor às conclusões do estudo realizado pela IACA em fevereiro, que revela que 77% dos portugueses consideram que o setor da alimentação animal é relevante para o país e que é importante reduzir a pegada ambiental.

Para 81% dos inquiridos a agricultura, a atividade pecuária no geral e a produção de alimentos para animais são um motor de desenvolvimento das regiões do interior.

As empresas associadas da IACA geram um volume de negócios anual de cerca de 1.400 milhões de euros, o que significa um peso de 12% da indústria agroalimentar.

Se a este valor se somar o gerado pela atividade pecuária, o volume de negócios conjunto atinge 2.760 milhões de euros.

O setor é responsável por 3.500 postos de trabalho.

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