Estudo da Universidade de Aveiro promete dar valor acrescentado às folhas de oliveira

09 Nov 2018 / 00:12 H.

Um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um método “mais sustentável” para extrair ácido oleanólico das folhas de oliveira, a pensar na indústria farmacêutica e do azeite, informou ontem fonte académica.

“As folhas de oliveira são um resíduo proveniente da indústria do azeite, uma das indústrias mais relevantes em Portugal e que, ao nível mundial, gera anualmente cerca de um milhão de toneladas de folhas”, indica um comunicado sobre a investigação.

De acordo com a mesma nota, o método de extração desenvolvido na UA “promete dar um valor acrescentado” a este subproduto, devido ao potencial terapêutico do ácido oleanólico.

“O interesse no ácido oleanólico deve-se às suas propriedades benéficas para a saúde humana, nomeadamente as propriedades antioxidantes, anticancerígenas, anti-inflamatórias e antialérgicas, apresentando assim um grande interesse para a indústria farmacêutica”, explica Ana Cláudio, uma das responsáveis pelo trabalho.

A investigadora refere que este trabalho surgiu com o intuito de valorizar este subproduto através da extração e recuperação de compostos de valor acrescentado presentes nas folhas de oliveira, tais como os ácidos triterpénicos, onde o ácido oleanólico se insere.

Atualmente, este resíduo é normalmente queimado para gerar energia, já que para se extrair o ácido oleanólico o método até agora existente “não é sustentável e recorre à utilização de solventes orgânicos voláteis, muitas das vezes tóxicos e carcinogénicos”.

Na UA, os investigadores descobriram ser possível extrair o ácido oleanólico com a utilização de soluções aquosas de líquidos iónicos a temperaturas próximas do ambiente, substituindo a utilização de solventes orgânicos voláteis e as elevadas temperaturas para o efeito.

No final deste novo processo de extração do ácido oleanólico, os investigadores garantem ainda ser possível reutilizar quer os líquidos iónicos, quer as folhas de oliveira para gerar energia, contribuindo também este método para o desenvolvimento de um processo integrado em biorefinaria.

De acordo com os investigadores, o processo desenvolvido pode ser utilizado em grande parte das indústrias nacionais que produzam resíduos agroflorestais ou resíduos alimentares que apresentem na sua composição compostos de valor acrescentado, sendo apenas necessário “ajustar as propriedades físico-químicas dos líquidos iónicos utilizados e demais condições operacionais”.

O trabalho, da autoria de Ana Cláudio, Emanuelle Faria, Armando Silvestre e Mara Freire do CICECO -- Instituto de Materiais de Aveiro e do Departamento de Química da UA, contou com a colaboração da Universidade Tecnológica de Viena (Áustria).