Especialistas defendem que avanços tecnológicos vão assegurar alimentação no futuro

15 Out 2019 / 22:27 H.

Investigadoras da rede ‘Global Portuguese Scientists’ (GPS) defendem que o crescente avanço tecnológico e, consequentemente, a sua aplicação na área alimentar vai permitir desenvolver as ferramentas necessárias para “termos o que comer no futuro”.

Para marcar o arranque do ciclo de debates e conferências dedicados à Ciência e à Educação, a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) convidou três investigadoras da rede GPS (criada pela fundação que localiza, desde 2016, os cientistas portugueses espalhados pelo mundo) para abordarem o tema da alimentação.

A conferência, que decorreu na Galeria da Biodiversidade do Porto, além de abordar a alimentação de um modo geral, focou-se também nas especificidades das plantas e do atual estado de preparação das mesmas para “lidarem” com as alterações climáticas, como a seca e as temperaturas elevadas.

Sónia Negrão, professora na University College Dublin, na Irlanda, e investigadora em melhoramento de plantas, acredita que “o grande desafio” que a ciência enfrenta é “alimentar 10 biliões de pessoas em 2050”.

“Como vamos conseguir fazer isso, sendo que esse desafio é agravado pelas alterações climáticas?”, questionou, apresentando algumas “soluções” e ferramentas utilizadas atualmente.

“Para garantir que conseguimos ter o que comer no futuro, temos de utilizar várias estratégias, não só a diversidade genética do que existe e explorá-la, mas recorrer às novas tecnologias, como a agricultura de precisão, ‘drones’, inteligência artificial e, inclusivamente, o melhoramento acelerado”, afirmou.

Também Marta Vasconcelos, investigadora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, que se dedica ao estudo da nutrição e genética de plantas, defendeu que a solução para “termos o que comer” no futuro passa por “munir forças” em diversas áreas.

“Acredito que, munindo a tecnologia, algum bom senso, boas políticas e muita informação, conseguiremos ter plantas mais nutritivas, mais sustentáveis e um planeta melhor”, afirmou, adiantando que métodos de melhoramento, como os cruzamentos genéticos, transformações e a biofortificação, permitem “melhorar o valor nutricional dos alimentos de forma sustentável”.

Já a investigadora Sofia Leite, membro da unidade de segurança química e métodos alternativos à experimentação animal do Joint Research Center da Comissão Europeia, salientou a necessidade de a “ciência recorrer a outros métodos” para o estudo humano.

“A ciência tem evoluído muito através dos testes animais, mas chegou o momento de alargar mais aquilo que estamos a fazer e introduzir novas tecnologias na forma de prevenção para perceber melhor o humano. Esta é uma estratégia em que ganhamos todos, nós e os animais”, concluiu.

O ciclo dedicado ao tema da Ciência e Educação, que prossegue até ao dia 16 de novembro, inclui a discussão de temas como as terapias alternativas, a genética, o cérebro e o universo, e vai percorrer o país, passando por cidades como Leiria, Aveiro e Lisboa.

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