ERC recebeu mais de 500 queixas sobre divulgação de vídeo de alegado abuso sexual no Porto

18 Mai 2017 / 09:18 H.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recebeu na quarta-feira mais de 500 queixas sobre a divulgação pelo Correio da Manhã de um vídeo com um alegado abuso sexual de uma jovem num autocarro do Porto.

O regulador tinha anunciado, na quarta-feira, que iria abrir um processo para analisar a divulgação do vídeo e que “oportunamente” iria tornar pública a decisão que viesse a adotar neste caso.

Questionada pela Lusa sobre o número de queixas apresentadas, fonte oficial do regulador dos media disse que, embora “o levantamento de todas as participações recebidas sobre essa matéria” não esteja concluído, as “participações contabilizadas até ao momento ultrapassam as 500”.

Relativamente ao caso, a mesma fonte adiantou que “há um processo de averiguações em que os serviços da Entidade procedem às análises e diligências que considerem adequadas e em que são ouvidas as partes interessadas (as pessoas que subscrevem as participações e o órgão de comunicação social em causa)”.

Posteriormente, é “produzida a posição final” do regulador.

Contactado na quarta-feira pela Lusa, Otávio Ribeiro, diretor do Correio da Manhã (CM), afirmou que o jornal divulgou “um facto relevante e polémico, protegendo a identidade” dos envolvidos e assinalou que “sem notícias, não há reflexão”.

“Limitamo-nos a fazer o nosso trabalho. Trata-se de um facto relevante e polémico. Protegemos a identidade dos agentes, mas fazemos notícia. Sem notícias, não há reflexão”, disse o diretor daquele diário.

A PSP do Porto esclareceu, no mesmo dia, à Lusa que não tinha recebido qualquer queixa sobre o alegado abuso de uma rapariga dentro de um autocarro, este mês, numa noite da Queima das Fitas, tendo encaminhado o caso para “o órgão criminal competente”.

Fonte da PSP do Porto indicou estar a averiguar uma denúncia feita através do e-mail “de um cidadão”, que relatou o caso que foi filmado e partilhado nas redes sociais, além de ter sido divulgado pelo Correio da Manhã.

Entretanto, a mesma fonte disse à Lusa ter concluído não existir, naquela força policial, registo de qualquer queixa.

A edição de quarta-feira do CM divulgou uma “alegada violação num autocarro do Porto” que, de acordo com “testemunhos e comentários que circulam em várias redes sociais, se terá passado durante a Queima das Fitas, que decorreu entre 07 e 14 de maio”.

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