Costa diz que acusação de Catarina Martins se deve à proximidade de eleições

15 Mar 2019 / 22:09 H.

O primeiro-ministro, António Costa, considerou hoje que a comparação que a líder bloquista fez sobre o actual e o anterior governo em relação ao sistema financeiro se deve à proximidade da campanha eleitoral e à necessidade de “alguma diferenciação”.

António Costa deu hoje à noite uma entrevista ao Porto Canal, na qual foi questionado sobre a acusação feita por Catarina Martins, no sábado, de que o primeiro-ministro usou os votos no PS em 2015 para fazer “sobre o sistema financeiro exatamente o mesmo que fez Passos Coelho, limpar bancos com o dinheiro de todos”.

“Eu creio que ela diz, manifestamente, só porque estamos próximos da campanha eleitoral e sente necessidade de haver alguma diferenciação, mas isso é uma coisa que eu creio que no país ninguém tem dúvidas que entre este governo e o governo anterior houve uma mudança de política muitíssimo significativa”, respondeu.

Para o primeiro-ministro “as pessoas também não têm dúvidas que essa mudança, ao contrário do que muitos temiam há três anos”, não pôs em causa a recuperação do país ou as finanças públicas.

“Pelo contrário, permitiu-nos que, pela primeira vez desde a adesão ao euro, voltássemos a crescer acima da média europeia em 2017, em 2018”, exemplificou.

António Costa garantiu ainda que “as expectativas que o Governo criou, cumpriu-as todas”.

“Até agora, felizmente, não fomos colocados em nenhuma circunstância na condição de não poder honrar os compromissos que estabelecemos e quando muitas vezes falam em expectativas, o Governo nunca disse que era tudo fácil”, disse.

Na opinião do primeiro-ministro, como o Governo conseguiu fazer o que prometeu, agora o que lhe é exigido é que se faça mais do que aquilo que foi prometido.

Confrontado com a situação dos professores, António Costa assegurou que “não há nenhuma promessa do Governo, pelo contrário, de recontagem do tempo de serviço”.

“O compromisso que o Governo assumiu e cumpriu foi de descongelar o conjunto das carreiras, designadamente as dos professores. Nunca houve qualquer compromisso do Governo, bem pelo contrário, da contagem do tempo de serviço”, lembrou.

O chefe do executivo considerou ainda que Portugal não é um “oásis, nem num país cor-de-rosa” e recusou ter uma “ideia idílica” do país, mas sim confiança nos resultados positivos das medidas adotadas pelo Governo.

“É absolutamente indiferente o que eu peça. O que é fundamental é o que os portugueses decidem. (...) Com maioria ou sem maioria esta solução política provou bem e, portanto, em equipa que ganha não se deve mexer”, respondeu perante a questão se vai ou não pedir maioria absoluta nas próximas eleições legislativas.