Bombeiros Voluntários Portuenses festejam 95 anos com murais de arte urbana

12 Abr 2019 / 05:23 H.

Os Bombeiros Voluntários Portuenses celebram no sábado os 95 anos da corporação com a inauguração de cinco murais pintados por artistas urbanos, através de um projeto que pretendeu transformar o quartel num espaço mais acolhedor e dinâmico.

“Queríamos dinamizar o quartel para apoiar uma corporação que passa 365 dias por ano, 24 horas por dia, aqui”, explicou à Lusa Tiago Almendra, segundo vice-presidente daquele corpo de bombeiros da cidade do Porto e intermediário entre a corporação e os artistas.

As portas por onde saem os veículos de socorro dos Bombeiros Voluntários Portuenses estão agora pintadas com desenhos coloridos e referentes à atuação dos bombeiros. “Transformámos, com recurso à arte urbana, a segunda casa dos nossos bombeiros, que agora é um espaço acolhedor e dinâmico”, disse o vice-presidente.

The Caver, FEDOR, mynameisnotSEM, Mariana PTKS, Virus e Los Pepes são os seis artistas voluntários que renovaram cinco murais do quartel dos Portuenses.

“O projeto começou no ano passado e foi-se concretizando com ajuda de muitos parceiros. Dado o cariz social do projeto, a empresa BASA (Book a Street Artist) dinamizou todos os meios e ajudou-nos a reunir condições para ter patrocínios”, explicou o responsável.

O segundo vice-presidente dos Voluntários Portuenses salientou o esforço dos artistas “que deram o seu trabalho de forma gratuita” e que, “em três tardes, fizeram o projeto ‘Urban Firefighters’ (bombeiros urbanos) acontecer”.

“Como o material foi todo disponibilizado pelos patrocínios, até o leque de cores disponível aos artistas era limitado”, afirmou Almendra.

O projeto, que utilizou 83 latas de ‘spray’ e 135 litros de tintas, foi pensado pela equipa da direção dos Voluntários Portuenses para ser “uma surpresa para a corporação”, “mas a certo ponto não foi possível guardar esse momento, porque começaram a aparecer os artistas e os materiais no quartel e os bombeiros perceberam que era uma surpresa”, explicou o vice-presidente.

“Quando os trabalhadores se aperceberam [das pinturas] ficaram muito entusiasmados, acolheram de bom grado esta nossa iniciativa”, destacou.

Virus, artista portuense, explicou à Lusa que no seu mural pretendeu transformar a imagem da “chama, que é algo sempre associado a experiências más”.

Decidindo “dar um ‘twist’ [mudança, em tradução livre] a esse conceito”, a sua pintura em tons de azul e roxo representa agora “a alma portuguesa como a grande chama que existe”.

“Representei a alma de Portugal com padrões que simbolizam a nossa cultura, tanto como os padrões do [setor] têxtil, como as escamas que representam a nossa cultura pesqueira, até às bagas de uva que simbolizam o nosso vinho”, explicou Virus, autor daquela pintura urbana na qual inscreveu “Alma é chama”.

Sandra Marinho, 23 anos, bombeira voluntária na corporação, admite, olhando para um mural com cortes geométricos, que pensou que o resultado final “fosse mais alusivo ao tema ‘bombeiros’”, mas também percebeu que “as escolhas dos temas dos murais são relacionadas com o tipo de trabalho de cada artista”.

“Foi uma iniciativa diferente que deu mais cor ao nosso quartel e deu muito mais movimento, e, por isso, trará pessoas novas”, concluiu a jovem.

Com 95 anos de história, a corporação iniciou a sua atividade na Rua do Bolhão, passando em 1933 para um edifício na Rua Fernandes Tomás.

As atuais instalações na zona industrial do Porto, na freguesia de Ramalde, foram inauguradas em 1993, depois de a Câmara do Porto ter cedido à corporação, 10 anos antes, o terreno para ali construir o seu quartel.

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