Bombeiros apresentam reivindicações no MAI e admitem voltar-se para o parlamento

Lisboa /
23 Set 2018 / 00:30 H.

Bombeiros voluntários aprovaram ontem em Lisboa um caderno reivindicativo que entregaram no Ministério da Administração Interna (MAI), e admitem pedir audiências aos partidos com representação parlamentar para apresentar as mesmas reivindicações.

O encontro na Praça do Comércio, bem como o caderno reivindicativo entregue no Ministério, teve como objetivo exigir mudanças no setor e as mesmas condições dos restantes agentes da proteção civil.

Pedro Artur Ferreira, um dos responsáveis da comissão que organizou o evento, denominada “Respeito e dignidade para os bombeiros portugueses”, disse à Lusa que a iniciativa de hoje se destinou a entregar o caderno e fazer ouvir a voz da comissão e garantiu que foi apenas o início de muitas outras iniciativas.

Para já, explicou, caso o MAI não responda ao caderno ou a resposta não seja positiva os bombeiros vão pedir audiências aos grupos parlamentares.

Pedro Artur Ferreira frisou que o movimento não está contra a Liga dos Bombeiros Portugueses, de quem quer ser parceiro, mas considera que a Liga não tem “ido à luta” e não tem demonstrado “força e energia” nas reivindicações.

O responsável disse à Lusa que os bombeiros querem ter as mesmas condições dos outros agentes de proteção civil, o que não acontece. “Como agente da proteção civil não posso admitir que seja o parente pobre”, disse.

Entre as reivindicações entregues no MAI está a criação de um sistema de saúde adequado aos bombeiros, entrega de mais dois equipamentos de proteção individual para combate a incêndios, investimento em veículos de combate e estruturas, e dotar a Escola Nacional de Bombeiros de meios financeiros e humanos para que a formação seja uma realidade.

Pedro Artur Ferreira admite que a questão dos equipamentos de proteção individual possa ficar para maio do próximo ano, porque a época de fogos deste ano deverá estar no final, mas considerou “urgente” o cartão social do bombeiro, que vai inclusivamente incentivar o voluntariado.

De acordo com o responsável, os bombeiros portugueses, uma instituição com 600 anos, sofrem hoje com “um desinvestimento muito grande” e não têm qualquer regalia.

A comissão reivindica também o aumento do valor de compensação atribuída aos bombeiros que integram o dispositivo especial de combate a incêndios rurais e alteração da lei orgânica da Autoridade Nacional de Proteção Civil que permita a criação de uma estrutura de comando autónoma dos bombeiros.

A comissão “Respeito e dignidade para os bombeiros portugueses” surgiu de um grupo de bombeiros voluntários após o incêndio de Monchique deste ano, e na sequência da polémica sobre as formaturas oficiais na receção ao Presidente da República e também ao primeiro-ministro, nas quais os bombeiros não estiveram presentes.