Baixas remunerações e condições de habitabilidade afastam jovens do Exército

Lisboa /
23 Jan 2019 / 16:56 H.

O Chefe do Estado-Maior do Exército, general Nunes da Fonseca, defendeu hoje que “há passos a dar” nas condições remuneratórias e estatutárias dos militares para reforçar a atractividade das Forças Armadas junto dos jovens.

Ouvido na comissão parlamentar de Defesa Nacional, o general Nunes da Fonseca revelou que o Exército fez um estudo sobre o recrutamento e retenção de militares e determinou 100 medidas a adoptar para reforçar o interesse dos jovens pelo Exército, das quais 87 são de curto prazo e estão a ser aplicadas pelo ramo “com alguma imaginação”.

Das restantes, “há doze que dependem da tutela e tem a ver com o estatuto e condições remuneratórias”, afirmou, adiantando que já apresentou os resultados do estudo à tutela.

O general frisou que um militar contratado tem um vencimento base de 583 euros, um valor abaixo do que um jovem poderá encontrar no mercado de trabalho civil e defendeu que “na vertente remuneratória, legal e estatutária há passos a dar”.

Nunes da Fonseca disse que para além das remunerações, as condições dos aquartelamentos são factores que levam a desistências: “os jovens são incorporados, não conhecem a realidade do Exército e ao fim de uma ou duas semanas desistem porque não se revêem” nas instalações que têm de ocupar.

O CEME destacou que as casernas do Exército apresentam condições de habitabilidade “dos anos 80 e 90”, com espaço para 30 camas em beliche, adiantado que o objectivo do Exército é “caminhar para transformar as casernas de 30 camas em espaços de quatro, com instalações sanitárias e banhos associados”.

Contudo, salientou, a transformação de cada caserna custa “500 mil euros” e o Exército dispõe de 18 milhões de euros para todas as obras de manutenção da estrutura, que inclui obras para retirar amianto de alguns edifícios.

Na audição, o CEME apontou como desafio do Exército para os próximos três anos “o recrutamento e a retenção” de jovens nas fileiras face à “tendência decrescente dos efectivos”, acrescentando que o ramo se tem deparado também com saídas de oficiais qualificados dos quadros permanentes.

No final de 2018, o efectivo do Exército atingia 13.500, dos quais 11% são mulheres. O número de praças autorizado foi de 9812 mas o Exército só tinha 5585 praças no final do ano passado,

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