Agência de ‘rating’ espanhola dá nota ‘BBB’ a Portugal com tendência estável

19 Jan 2019 / 09:41 H.

A agência de notação financeira espanhola Axesor classificou hoje Portugal no nível médio/alto ‘BBB’ com tendência estável, considerando que o país recuperou para níveis anteriores à crise, mas alertou para a elevada dívida pública.

Na primeira notação que faz ao risco de emprestar dinheiro a Portugal, a empresa sublinha que a notação reflete tanto “a confiança” gerada pela consolidação orçamental e as reformas estruturais, como “os riscos” derivados da moderação das exportações, os ajustes no mercado laboral, o envelhecimento da população e o ainda elevado volume da dívida pública.

O nível ‘BBB’ indica que Portugal tem uma capacidade “mais do que adequada” para enfrentar os seus compromissos financeiros, mas essa capacidade tem “maior probabilidade” para se deteriorar no médio ou longo prazo do que em categorias superiores.

A Axesor “espera uma certa moderação” do crescimento económico, devido à maturidade do ciclo, à desaceleração do consumo privado, à contribuição negativa do setor externo e ao fim da política monetária que até agora seguia o Banco Central Europeu (BCE).

A agência de notação considera que o endividamento público é “um problema importante” devendo evoluir para 118,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no final do corrente ano, “longe” dos 130,6% que tinha em 2014.

A Axesor alerta para o elevado volume de crédito malparado (NPL no acrónimo inglês) do setor financeiro português, com mais de 32.400 milhões de euros.

As previsões para 2019 são que o crescimento do PIB será de 1,8%, que contrasta com os 2,1% em 2018.

O ‘rating’ de Portugal é o segundo que a Axesor publica, depois de em outubro passado ter começado a divulgar a nota para Espanha.

Até essa altura, a empresa apenas classificava a solvência das empresas do mercado.

Segundo o responsável da linha de ‘ratings’ soberanos da agência, António Madera del Pozo, a Axesor considera “estratégico” a publicação da nota para Portugal, porque essa “análise interessa a empresas espanholas”, nomeadamente as financeiras, cada vez mais presentes no país.