Açores vão estudar a evolução da violência doméstica e do género

15 Mai 2018 / 14:42 H.

O Governo dos Açores vai realizar um estudo sobre a violência de género na região, à semelhança de um inquérito realizado há 10 anos, para conhecer a evolução do fenómeno no arquipélago, foi hoje anunciado.

“Já se passaram 10 anos desde o último estudo e estamos na fase de preparação do III Plano Regional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género e queremos conhecer as cambiantes do fenómeno e a evolução para um trabalho mais dirigido às problemáticas atuais”, afirmou a secretária regional da Solidariedade Social, Andreia Cardoso, em declarações aos jornalistas.

Andreia Cardoso falava, em Ponta Delgada, São Miguel, à margem da sessão de abertura do V Encontro Regional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género destinado à formação de técnicos na área.

“Foi realizado um estudo há 10 anos ao fenómeno da violência doméstica na região e pensamos que é essencial repetir essa avaliação e estamos em fase final de negociação da replicação deste trabalho”, salientou, garantindo existir “uma grande preocupação” em monitorizar o fenómeno para que “os técnicos estejam preparados para trabalhar com a realidade em concreto”, já que “o fenómeno tem tido alterações ao longo dos anos”.

Andreia Cardoso referiu que há uma década “falava-se essencialmente sobre a violência nas mulheres”, mas atualmente este não é um fenómeno exclusivo do sexo feminino e “o problema da violência coloca-se também nos homens e idosos”, pelo que é essencial que se “avalie a questão em toda a sua plenitude”.

Trata-se da replicação do estudo “Inquérito à Violência de Género -- Região Autónoma dos Açores” e, à semelhança do que aconteceu em 2009, será desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sob coordenação de Manuel Lisboa.

Além disso, vai também ser lançado um outro estudo que permitirá caracterizar as situações de violência doméstica acompanhadas pelas várias estruturas de apoio a vítimas na região.

Este estudo será desenvolvido em colaboração com a Novo Dia -- Associação para a Inclusão Social e com o Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A secretaria regional adiantou ainda que um estudo designado “Discriminações e Violências: Resultados do Inquérito aos Jovens Estudantes do Ensino Secundário e Profissional da Região Autónoma dos Açores” já está concluído e deverá ser apresentado em breve pela Associação Novo Dia.

“Estamos no último ano de execução do II Plano Regional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género e, neste plano, determinámos um conjunto de três grandes áreas de ação, uma delas a componente formativa, o acompanhamento e a prevenção e é, por isso, que elegemos no corrente ano a violência no namoro como uma das áreas de investimento das campanhas de prevenção”, frisou Andreia Cardoso.

A secretária regional destacou a componente de monitoração da problemática que permitiu criar uma plataforma regional “alimentada por todas as instituições” que trabalham o fenómeno na região.

“A região tem feito um esforço para conhecer a realidade e torná-la do conhecimento dos técnicos, de todos os que trabalham nesta área e da comunidade. É fundamental que estejamos todos sensibilizados para um problema que nos afeta e para um problema que não queremos de todo esconder debaixo do tapete”, afirmou.