Setembro sem sábado

12 Set 2019 / 02:00 H.

Estamos na reta final do verão, das festas e dos arraiais. As férias grandes já ficaram para trás e em muitos sítios já cheira a mosto, sinal de que as vindimas já começaram.

No que respeita a arraiais aqui pelo norte só falta o Rosário, que este ano até dizem que é mais tarde. Mas o grande e verdadeiro a arraial do Norte, na opinião de muitos, ainda continua a ser “o Setembro”, como é conhecido por grande parte da população nortenha, principalmente da geração mais velha, o arraial da Ponta Delgada ou do Senhor Bom Jesus, para a maioria.

Este ano não fugiu à regra. Como todos, tem-se adaptado às novas realidades, mas ainda mantém muitas das características que o tornaram famoso.

Duas delas são o sábado e segunda do Setembro. No sábado, manda a tradição que se vá á até á Igreja do Bom Jesus pagar a promessa, ver a chegada dos romeiros, ouvir um toque da banda de música e fazer a espetada.

Na segunda-feira, é dia de ir até ao Chão dos Louros, num convívio mais profano, que, segundo dizem, tem origem no regresso a pé dos romeiros ao sul. Aproveitavam para fazer uma paragem para descanso no Chão dos Louros e os barraqueiros vendiam o que restava do arraial.

Conversávamos então sobre quem tinha por hábito ir à Ponta Delgada ou Chão dos Louros, quando a Maria se saiu com esta:

- Eu cá só vou ao Chão dos Louros! Pelo menos há todos os anos, o sábado nem sempre há.

- Pois, tens razão - diz o Manelinho. - Foi o caso deste ano, em que o dia 1 de setembro coincidiu com o domingo, por isso a véspera (sábado) foi em agosto.

- É verdade - lembra a Maria. - Muitas vezes ouvi meu pai aproveitar isso para brincar com compadre dele da Ponta Delgada, com conversas do género: “ Este ano o setembro vai ser fraco, é só no domingo” ou “como é que vão resolver o problema, este ano não há arraial? Não há sábado do setembro”...

- Este ano não teve sábado mas teve muitos romeiros que nunca vi por lá - diz o José da Ribeira, que foi o arraial todos os dias, desde a quinta ao domingo.

- Pois é, eu também vi isso! - reforça o Manelinho. - Mas esses andavam em trabalho, porque depois do Rosário querem descansar à sombra da bananeira.

- Ou das palmeiras da Avenida do Mar - remata o José.

Joel Freitas

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