Saio da Assembleia com o dever cumprido (Parte II)

11 Set 2019 / 02:00 H.

Este é, provavelmente, o último artigo que aqui escrevo enquanto Deputado. Porque tenho sido abordado por largas dezenas de pessoas que me interrogam acerca da minha saída do palco parlamentar, aproveito esta oportunidade para recordar, porque já o referi, que a direção regional do meu partido decidiu que prescindia da minha continuidade no Parlamento na medida em que, como afirmou o Coordenador Regional do BE Madeira em entrevista ao DIÁRIO, no passado dia 24 de Agosto, “houve uma alteração de direção (do partido) e há uma nova estratégia”, acrescentando que faz sentido ter na Assembleia “quem se revê nessa linha” política que saiu vencedora na Convenção (Congresso) Regional do BE de Abril de 2018. Como já, também, aqui afirmei é uma opção que, mesmo não merecendo a minha concordância, decorre da legitimidade democrática concedida pelos aderentes do BE aos novos órgãos diretivos do Partido e, por isso, nada mais há a dizer. Posto isto, resta-me partilhar com os leitores mais um pouco do trabalho desenvolvido, por mim e pelo Rodrigo Trancoso, enquanto Deputados do BE, na XIª Legislatura que agora chega ao final. Como já aqui vos dei conta, exatamente há um mês, a nossa ação parlamentar esteve, prioritariamente, centrada nas inúmeras propostas apresentadas para responder aos graves problemas sociais dos quais ainda padecem largos milhares de madeirenses e portossantenses. Todavia, a nossa ação foi muito mais abrangente. Estivemos na primeira linha da defesa dos trabalhadores da função pública, exigindo a reposição do subsídio de insularidade cortado. Não esquecemos os trabalhadores do setor privado, quando propusemos um maior aumento do Salário Mínimo e a redução de impostos sobre o trabalho e o consumo. Batemo-nos pelo descongelamento do tempo de serviço, e pela recuperação desse mesmo tempo por parte dos professores, enfermeiros, técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e restantes funcionários públicos que ainda não viram esse direito consagrado. Dedicámos grande parte da nossa luta parlamentar no combate aos lóbis instalados, por exemplo, nos portos e nas inspeções automóveis. Propusemos o regresso à esfera pública de inúmeros serviços concessionados à ‘privataria’, com prejuízo da população que se vê, cada vez mais, desprovida de serviços públicos essenciais. Lutámos, de forma tenaz, contra a tentação dos detentores do poder em entregar o nosso litoral à pirataria, que tem usurpado e saqueado a orla costeira na Madeira e no Porto Santo. Exigimos a continuidade territorial, tendo sido por nossa ação, em primeiro lugar, que foi apresentado, logo em 2015, um projeto de decreto para que os madeirenses pagassem apenas os 86 euros nas viagens de avião entre a Madeira e o continente. Sempre lutámos para que fosse possível uma ligação ferry o ano inteiro entre a nossa Região e Portugal continental. Nunca nos calámos perante aqueles que, de forma sub-reptícia, desrespeitaram e aviltaram a Autonomia, uma das mais importantes conquistas de Abril. Enfim, fizemos muito mais que aqui não cabe, neste pequeno espaço, que já vai longo. Saímos da Assembleia com a consciência do dever cumprido. Da minha parte, continuarei por aqui, neste espaço, e em todos os espaços em que entenda ser útil a minha ação cívica e, também, política. Sendo pública a minha opção político-partidária, desde sempre, faço votos para que toda a Esquerda saia reforçada das próximas eleições regionais e consiga construir uma alternativa de políticas, que não se fique pela mera alternância, e que responda aos problemas que estão colocados aos milhares de conterrâneos nossos que anseiam ‘por um novo alvorecer’. Obrigado a todos e a todas pelas manifestações de apoio e reconhecimento que tenho recebido ao longo destes largos meses. Ao DIÁRIO agradeço este espaço mensal que me permitirá, enquanto os seus responsáveis entenderem, continuar a opinar sobre os mais diversos assuntos da nossa vida comum. Bem-hajam e encontramo-nos nas Lutas!

Roberto Almada

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