Portugal e a China. Que caminho?

Tudo tem um preço ou há coisas que não se compram? O que acha cada um de nós de tudo isto?

06 Dez 2018 / 02:00 H.

O presidente chinês Xi Jinping esteve esta semana em Portugal. A China como se sabe para além de ter uma política amplamente expansionista nos tempos que correm e serão disso exemplo a China Three Gorges principal acionista da EDP ou a Fosun com interesses na banca e nos seguros para enumerar apenas duas é ao mesmo tempo como se sabe um regime não democrático com diversas provas de censuras e de atropelos constantes aos direitos humanos passando pelo desprezo sobre o direito à greve ou até à opinião livre. Isto acaba por nos colocar num dilema.

Quando a subida da qualidade de vida e a manutenção dos nossos valores e crenças não podem andar de mãos dadas por qual deles deveremos optar? Será que os nossos valores e a nossa integridade são fundamentais até esbarrar no ponto em que podemos oferecer melhores condições de vida para os nossos ou será que pelo contrário a nossa procura incessante por melhores condições deve cessar quando esta entra em conflito com tudo aquilo em que acreditamos? Este paradigma de termos que optar sempre por uma solução que nunca será perfeita é ao mesmo tempo irritante e perigoso, porque para além de poder merecer críticas sob os mais diversos pontos de vista obriga ainda a quem tem que tomar decisões a uma daquelas bem difíceis.

Este é um problema com que Portugal se depara nestes dias. Por um lado um estreitar de relações pode alavancar-nos e abrir portas para o crescimento de muitas famílias e muitas empresas portuguesas quer seja pela integração na famosa nova Rota da Seda como no facto de poder estabelecer parcerias privilegiadas com um dos maiores mercados do Planeta. Por outro podemos estar a vender a nossa alma ao Diabo e disso temos sido avisados, o último dos quais partiu de Macron presidente de França que afirmou ficar muito desiludido se Portugal optasse por se associar à iniciativa chinesa mas de facto basta olhar para um País como a Suiça e ver como o relacionamento que desaguou na assinatura de um acordo de comércio livre lhes catapultou a economia através da entrada em condições muito favoráveis dos seus reconhecidos chocolates e dos vistosos relógios num mercado de 1,5 mil milhões de consumidores.

Será que vender as nossas maiores empresas ou concessionar o Porto de Sines para fazer a tão ambicionada ligação da rede terrestre através da ferrovia que já chega a Madrid com a rede marítima representará um crescimento tão importante que nos tire das dificuldades assumindo-nos como uma Micro Potência como a Suiça ou ficaremos para sempre dependentes de um País que pouco se importará connosco quando tiver que virar agulhas para outro lado? E quanto aos valores que tanto defendemos da liberdade , da procura pela igualdade e meritocracia , seremos capazes de os meter na gaveta por um bem maior que é a nossa economia ou isso não será razão suficiente para nos “prostituirmos”?

É muito importante estes temas estarem na ordem do dia e é fundamental todos darmos a nossa opinião para que do ponto de vista estratégico de um País como o nosso as decisões fiquem vinculadas às nossas próprias vontades e não aos desejos autistas de meia dúzia de políticos. Para onde queremos ir mas também de que forma queremos ir. Tudo tem um preço ou há coisas que não se compram? O que acha cada um de nós de tudo isto? É importante percebermos o que está em causa.

José Paulo do Carmo