O maravilhoso Mundo da Inovação

A Madeira tem que ser por isso um polo de dinamização deste Mundo novo usando as ferramentas que tem ao seu dispor ( e são muitas )

08 Nov 2018 / 02:00 H.

Assistimos por estes dias a mais uma “Web Summit” em Lisboa. Confesso que não sou particularmente fã da famosa conferência anual de tecnologia. Por diversos motivos mas o mais forte é que no meu entender este tipo de eventos deveriam estar mais focados nos novos projectos , nas empresas que realmente precisam de apoio ao investimento e ajuda a alicerçar o seu negócio e não tanto na centralização dos discursos de personalidades que nada têm a ver com tecnologia. Tenho para mim que seria muito mais interessante escolher durante o ano projectos válidos em todo o Mundo e fazê-los passar por diversas eliminatórias constituindo uma seleção das melhores Start Ups e dar-lhes a eles palco, deixando para os investidores a plateia e a feira adjacente com ações muito mais profícuas de networking e não tanto a feira de vaidades a que vamos assistindo. Mas isso sou eu que estou do outro lado e sinto aquilo que mais me faria falta num congresso deste tipo. Mais objectividade.

Não deixo no entanto de lhes dar o devido mérito. Se estamos a discutir formatos e ideias é porque já atingimos a primeira fase que é a de colocar os holofotes no empreendedorismo (não deixo de constatar com estupefação que o corretor ortográfico do meu computador não assuma a palavra como válida) e esse é um passo indubitavelmente obrigatório. Gosto no entanto de sair do espectro da tecnologia e falar em inovação. Porque por vezes as palavras confundem-se como se inovação tivesse que ser obrigatoriamente tecnológica e não é verdade. E é também benéfico com a crescente idade média de vida que possamos também começar a incentivar os mais velhos a juntarem-se ao clube porque também ao contrário do que muitos pensam, tecnologia e inovação não têm que ser exclusivamente feudo dos mais jovens.

Concordo no entanto que os Governos têm que estimular o aparecimento e a criação de ideias novas , da transformação do existente com a devida modernização e que deve existir um incentivo tácito para que as mesmas possam por cá ficar incubadas. E parece-me que a Madeira é sob vários aspectos uma Região bastante atrativa para captar este tipo de novas empresas porque embora faça parte de um País como Portugal com um regime fiscal extremamente complexo e um emaranhado burocrático muitas vezes pouco condizente com aquilo que se proclama na abertura das “Web Summit” consegue através do clima, de um regime fiscal atrativo ( e que pode e deve criar novos benefícios para atrair este tipo de público ) da segurança e da sua estrutura virada para o Turismo e habituada a lidar com diversos tipos de sensibilidades e culturas criar condições únicas para a sua fixação.

A Madeira tem que ser por isso um polo de dinamização deste Mundo novo usando as ferramentas que tem ao seu dispor (e são muitas) e chamando até si alguns apoios estratégicos dada a sua insularidade para se tornar competitiva e apetecível na hora das Start Ups escolherem o seu caminho (e já o fazem nomeadamente através da Start Up Madeira) .Mas é também importante no meio de toda esta mensagem que passa de que ser empreendedor “é fixe” de não nos esquecermos que nem todos nascem para ter a sua própria empresa e que quem trabalha por contra de outrem não é menos que os outros, é apenas uma solução diferente para o mesmo problema, a rentabilização dos nossos recursos, a nossa satisfação pessoal e realização profissional. O caminho para a inovação passa sobretudo por darmos oportunidade a que brilhantes ideias não caiam em “saco roto” por falta de atenção ou de dinheiro mas passa sobretudo por uma estratégia que permita alocar tempo e recursos para o que vale a pena e não tratar todas as Start Ups à partida como casos de sucesso. Inovar para o crescimento e para a diversificação é uma aposta seguramente ganha se bem conduzida.

José Paulo do Carmo
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