O Jardim da Insular

O ar puro que ora se respira no quarteirão da Insular faz esquecer o susto da tarde de 22 de fevereiro de 2019

14 Mar 2019 / 02:00 H.

Estamos no ano 2029. Corre o mês de fevereiro. Dia 22. Os funchalenses lembram o incêndio da antiga fábrica Insular de Moinhos 10 anos depois. Um anoitecer sereno, sem chuva e sem vento. A pronta intervenção dos Bombeiros impediu que o incêndio se propagasse para além do limite do enorme edifício da antiga fábrica.

Do incêndio, narra a história, resistiram as fachadas e uma chaminé moribunda.

O destino da fábrica apontava para a construção de um hotel com 50 andares. Um verdadeiro luxo para a cidade com a perspectiva de criação de 500 postos de trabalho. Um investimento que perdeu vigor por uma série de factores, entre os quais, as singulares imposições da protecção do património e a habitual ingerência dos lobbies “ser do contra”.

Em vez disso, e à semelhança do que foi realizado no antigo engenho do açúcar, a Fábrica do Torreão, onde nasceu o Jardim de Santa Luzia, na antiga fábrica da insular nasceu um magnífico jardim – O Jardim da Insular.

Uma zona fantasma com um prédio de grande dimensão que constituía um autêntico barril de pólvora na cidade, ganhou vida e proporcionou aos funchalenses e aos milhares de visitantes que diariamente circulam na baixa funchalense, um espelho de alegria pelo verde das plantas e o colorido das flores. Um magnífico jardim que na Primavera perfuma a cidade do Funchal pelo cheiro das flores bem cuidadas.

O ar puro que ora se respira no quarteirão da Insular faz esquecer o susto de 22 de fevereiro de 2019. O antigo edifício – antes e depois do grande incêndio - pode ser observado nos vários registos fotográficos no pequeno núcleo museológico cuja principal atracção é uma parte da referida chaminé moribunda.

Nada disto seria possível sem a vontade do benemérito a quem os funchalenses ficam eternamente gratos pelo ato de generosidade.

E nisto o despertador tocou! Eram 7 da manhã. A primeira página do DN Madeira dava notícia de uma peritagem e de que o proprietário teria de fazer várias intervenções.

Há que reconhecer que não se trata de um poio de couves, convertido num poio de cana vieira 2x2m com 2 m de altura que suscitou 10 queixas por eventual risco de incêndio e que resulta numa ordem de limpeza.

Para memória futura voltarei a sonhar com o superior interesse da cidade o magnífico Jardim da Insular que alegraria a vista e confortaria a alma dos viajantes.

Rafaela Fernandes
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