O “brinquedo” de então é agora indispensável

11 Out 2019 / 02:00 H.

O início da grande viagem começou com um passo arriscado, nada consensual. Há 20 anos, o digital era, em várias cabeças, um misto de incerteza e trabalho acrescido. O imaginário pouco fértil reduzia a aventura inevitável a um salto para o abismo. Na altura, jogaram-nos à cara que o jornalismo não se compadece de experimentalismos inconsequentes. Valeu a determinação e o profissionalismo de todos quantos embarcaram sem reservas num projecto se foi consolidando, gerando atractividade e que hoje é indispensável.

Aquele que era um “brinquedo” em 1999 é um caso de sucesso e de estudo, um meio imprescindível para quem quer estar informado. E a prova é que somos referência dentro e fora da Região, líderes num mercado que aprecia o jornalismo com rosto, o escrutínio dos poderes e o compromisso com a verdade.

Por ironia do destino alguns dos críticos da odisseia digital então encetada, como se não houvesse mais mundo para além do papel, sobrevivem hoje noutras paragens à conta do digital do qual desconfiavam. Que seria deles sem o “brinquedo” que agora os mantêm vivos e interventivos? É incontornável viver noutra dimensão e ter o futuro na palma mão.

Ao longo do tempo, não nos acomodamos aos crescimentos de visitas, de páginas vistas e de novos leitores. Inovamos em nome de uma sociedade bem informada e participativa, que tem escolhido o DIÁRIO e restantes meios deste grupo de comunicação para estar mais bem informada na hora de fazer opções vitais. Quem é líder na informação tem responsabilidades acrescidas. Também nas mudanças, para melhor servir. E assim vamos continuar.

Há muito trabalho a fazer num tempo que corre célere e em que as tendências de ontem e os hábitos de consumo de amanhã atropelam planeamentos e convicções. Só com qualidade nas ferramentas, nos processos e no produto final; só com a complementariedade de meios e a interactividade assídua; só com o rigor conseguiremos perservar o nosso bem maior que é a credibilidade.

Logo, é urgente a passagem a uma fase seguinte, a um ‘mobile first’ que não se resume ao ‘breaking news’ e à surpresa que não se compadece de rotinas. Temos que contar boas histórias, ter novos conteúdos exclusivos e mais manchetes sem hora certa. Temos que trabalhar melhor os dados e as audiências e fazer com que todo este processo comunicacional possa gerar receitas. Sim alguém terá que pagar o custo da informação, mesmo que alguns pensem que os salários caem do céu e que um investimento privado deve abster-se de ter publicidade, suplementos e eventos. Com toda a transparência, sem independência financeira não há independência editorial.

Em 1999, tal como agora, o mais difícil é mudar o ‘chip’. Mas é pelo digital que vamos. Sem deixar de lado o que ainda nos sustenta e dá notoriedade. Aliás, uma boa plataforma que dá mundo àquilo que antes era apenas ilha e difunde conteúdos a toda hora deve ser reflexo da convergência e contribuir para uma edição impressa pensada noutros moldes, uma espécie de revista diária que analise a actualidade, antecipe cenários, diagnostique problemas e apresente soluções. Haja tempo e recursos. A confiança e a cumplicidade dos madeirenses que aqui vivem ou estão espalhados pelo mundo fará o resto. A missão implica cooperação permanente para que, como diz o mais novo dos nossos entrevistados de hoje, possamos orgulhamo-nos cada vez mais daquilo que fazemos em cada dia.

Ricardo Miguel Oliveira
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