Liberdade

Nada mudará por milagre, como resultado de eleições comandadas pelos de sempre

15 Abr 2019 / 02:00 H.

Democracia e política construtiva, são três princípios de importância fundamental para a construção da nossa vida colectiva. A Madeira vai a votos 3 vezes durante os próximos 6 meses - e não são vezes a mais, são as necessárias para, nos planos europeu, nacional e regional, fazermos escolhas claras sobre o nosso futuro.

Nem sempre foi assim. A 25 de Abril assinalaremos 45 anos da conquista desse direito de definirmos um projecto colectivo. É certo que nem todos assinalarão a data com o mesmo entusiasmo: há os que nunca o fizeram, como acontecia na Câmara Municipal de Miguel Albuquerque, e os que preferem o 25 de Novembro, mas há uma grande maioria que não perdeu a memória.

Se o 25 de Abril nos ensinou alguma coisa, foi sobre a importância da participação. No ano em que a Universidade da Madeira assinala 30 anos, a Associação Académica deu o exemplo e publicou uma colectânea de 31 ensaios que resumem alguns dos desafios do Ensino Superior - que não são diferentes daqueles que enfrentamos enquanto sociedade. A Universidade democratizou o aceso ao Ensino Superior numa Região que continua a ter índices de escolarização muito abaixo do que todos desejamos, mas há uma mensagem que importa que salte rapidamente das paredes da História da Academia, que deu um contributo fundamental para o 25 de Abril, para toda a sociedade: a importância da construção colectiva através da participação pública construtiva.

A Madeira está cheia de maus exemplos e pontualmente todos contribuímos para que assim seja - mas não tem de ser assim. Os projectos estruturantes para os municípios, a Região, o país e a Europa não têm que ser discutidos à luz da destruição dos novos projectos e ideias, acompanhada da adjectivação, maledicência e da mentira de quem não sabe estar sem recorrer ao insulto, à invenção e a um estranho complexo de inferiorização. Há mentiras, invenções e qualificações para todos os gostos, promovidas por anónimos, políticos e jornalistas, que nem se importam de inventar factos pessoais que não existem com inenarráveis más intenções. A ideia é quase sempre destruir os que chegam e arrastá-los para o mundo em que viveram durante este tempo todo, como se fôssemos todos feitos do mesmo. O objectivo é torná-los iguais ao que sempre foram; é arrastar os novos - sim, a geração Europa, Madeira, ou outra qualquer que não seja a dos de sempre, que estão cá desde sempre e que utilizam as manhas, os esquemas, os discursos éticos e a falsa superioridade moral que apregoam como refúgios que se desmontam nos sucessivos maus exemplos que dão, ainda que muito bem disfarçados com requintes de malvadez - para a lama em que sempre se movimentaram.

Tal como coube aos estudantes, antes do 25 de Abril, dar um sinal à sociedade civil de que a ditadura fazia mal ao país, cabe novamente às novas gerações - de estudantes, de jovens políticos, de novos profissionais, de gente que não sendo nova de idade é nova no meio público e político - dizer que não e recusar participar na farsa que empurrou a Europa para o nacionalismo, Portugal para o abismo e a Madeira para o isolacionismo. Nada mudará por milagre, como resultado de eleições comandadas pelos de sempre, por agendas políticas e mediáticas que se alinham em estranhas viagens aos confins de novas ordens democráticas como a brasileira; mudarão quando cidadãos, académicos, políticos e jornalistas recentrarem o debate nas ideias, nos projectos estruturantes, nos factos e nos dados objectivos.

Durante os próximos meses, podemos discutir as aparentes más consequências de obras que afinal não existiram, ou as consequências reais das que efectivamente se fizeram mal com o dinheiro europeu; podemos discutir as invenções sobre quem criou os problemas, ou as soluções para as dificuldades que o CINM enfrenta; podemos discutir o que importa à população, ou o que importa a quem se dedicou sempre a manter a todo o custo a governação. A Madeira precisa de mais discussão séria e de menos ruído; de mais factos e de menos mentiras; de mais ideias e de menos insinuações; de mais notícias e de menos opiniões camufladas; de mais participação e de menos suspensões.

Exigir menos, alhear-se da realidade ou deixar-se levar, é fazer um favor aos de sempre. É jogar o jogo deles, com o resultado do costume. É fingir liberdade, democracia e política construtiva numa terra que continua a viver em estado de excepção, entregue aos de sempre e alimentada pelos do costume - até a maioria dizer chega.

João Pedro Vieira
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