Estamos em Festa. Reabrimos em Janeiro

06 Dez 2018 / 02:00 H.

Se tem algum assunto pendente com o governo regional, câmaras ou empresas privadas, resolva-os o mais depressa possível ou espere por Janeiro de 2019. Não sei se já reparou, mas está tudo a entrar, como todos os anos, em estágio e não tarda nada não vai encontrar ninguém em lugar nenhum.

Ou melhor, poderá encontrar essas mesmas pessoas na porta de uma igreja na missa do parto, antes do nascer do sol ou nas placas centrais a partir do fim da tarde. É ali que nesta altura do ano se tratam os assuntos pendentes nesta terra virada para o mar, perdão, para a Festa. Não que não sejamos produtivos durante o resto do ano, tanto no sector público como no privado, mas convenhamos, nem na Lapónia se se festeja tanto o Natal como nesta terra. Vestimos quase a pele de turistas e misturamo-nos com eles nas provas de poncha, ginja e afins, tiramos umas fotos com as mães-Natal, mandamos uns piropos nas redes sociais e, pior, encontramos pessoas com quem precisamos de falar ao longo de todo o ano.

Mas o que me faz mais confusão, mesmo, é a resistência que as mesmas almas, as do público e do privado, têm em levantar-se da cama para ir trabalhar todos os dias, mas são os mesmíssimos corpos que saltam do colchão para a cozinha às 4 e meia da madrugada para irem fazer canja e sandes para levar para o adro de uma igreja na Ponta Delgada ou no Curral das Freiras. Há mesmo quem dê a volta à ilha nas nove missas e até chegue rosadinho e alegre ao trabalho meia hora antes, porque se o pessoal for a casa adormece. A verdade é que não há muita necessidade de chegar cedo, os patrões ainda ressacam do 15º jantar de Natal da noite anterior e os emails parecem não cair na caixa de correio, porque do outro lado acontece rigorosamente o mesmo.

É oficial, estamos fechados para a Festa e reabrimos em Janeiro. Desde o dia 1 que as placas diminuem em espaço livre para circular, o trânsito parece fazer-se ao contrário e afunila para a baixa ao final do dia, o pessoal esquece os problemas e até as boas notícias podem esperar por Janeiro. Ninguém quer saber de nada, só do que vai fazer até a noite dos Reis e, em alguns casos, já se “roubou” o Santo Amaro, que passou de primeiro arraial do ano novo a último arraial do ano velho, para podermos esticar a Festa, porque um mês não dá para testarmos as nossas resistências.

A malta diverte-se, em Janeiro faz contas às pontes do ano e quantos dias de férias pode ganhar, os funcionários públicos que nunca viram um “carro de corridas” na vida esfregam as mãos por uma tolerância de ponto e o calendário avança até as férias coletivas em Dezembro.

Reabrimos em Janeiro. Assuntos urgentes, na placa central ou num adro perto de si.

Cristina Costa e Silva