Haja memória!

11 Out 2018 / 02:00 H.

O DIÁRIO completa hoje 142 anos de vida reafirmando a importância daquilo que faz a diferença no jornalismo, tal como na vida, a memória.

Há quem vegete na era do plágio fácil e da amnésia tácita, da propagação selvagem das narrativas alternativas e do escrutínio repentista, da ofensa gratuita e do reparo infundado. Mas nessas paragens em que muitos se abrigam circunstancialmente, conforme a moda, se der jeito, ignorando ensinamentos com décadas, importa distribuir um futuro alicerçado em bases sólidas e em experiências testadas. E o da informação multimédia, por vezes maldosamente confundida e etiquetada de forma genérica, por ser sensacionalista e parcial, ou então se afigurar incómoda e consequente, necessita de contexto e de confirmação, de rigor e de isenção. Em nome da credibilidade. E da verdade.

Mas ter memória de pouco serve se essa dádiva não for posta ao serviço de quem escolheu ser informado. Por isso, deve tornar-se presente e empreendedora, facilitando a compreensão e a transparência com que os factos devem surgir nos diversos meios de difusão, seja através das notícias que nos distinguem, das reportagens fora de formato, das entrevistas oportunas, da interactividade constante, das imagens eloquentes e da abordagem permanente da actualidade.

A memória alimenta-se em cada instante. Tudo tem uma causa. Nada é por acaso. Por isso. tudo faremos para dotar o DIÁRIO e suas múltiplas plataformas deste substrato vital, de modo a que também no dnoticias.pt, no freguesia.dnoticias.pt, no turismo.dnoticias.pt, na TSF, na D7, no nosso canal Youtube, nas três redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram), no Extra e na nossa nova aplicação móvel haja coerência, mesmo que, aparentemente nem tudo pareça fazer sentido e as mais inequívocas da convicções sejam questionáveis.

Nesta missão jornalística imprescindível, profissional, independente, regulada e escrutinada, seremos firmes. Não cederemos às ameaças típicas dos ambientes marcadamente intoxicados, às extravagâncias ditadas por perfis falsos ou às exigências das obsessões doentias. Mesmo que sejam ditadas com sobranceria nos palcos onde os vários poderes tendem a estigmatizar quem lhes escapa ao controle.

Neste ano jornalístico com a marca DIÁRIO, numa Região excessivamente politizada e num contexto que se antevê escaldante e pródigo em excessos, privilegiaremos as reflexões plurais e ponderadas, sem nos desviarmos do rumo traçado e que é construído permanentemente com a interpretação honesta dos acontecimentos, com espaço para o contraditório, com os desafios à criatividade e com o tratamento devido às grandes causas.

A este nível, não pretendemos fazer programas de governo nem nos substituirmos a quem é eleito e está legitimado para procurar as melhores soluções e respostas colectivas. Para nós, tão ou mais importante do que as eleições é contribuir para edificar uma sociedade justa e íntegra em cada gesto e lugar.

Quem nos conhece sabe - e o livro que hoje lançamos confirma - que a melhor forma de honrar o legado deixado pelo fundador Alfredo César de Oliveira - “...pugnaremos, quanto em nós couber pelos interesses desta povoação” -, é contar o que pode ser útil, importante e interessante, bem como, partilhar ideias para a Madeira, sejam elas aproveitadas ou desprezadas pelos que foram investidos nos cargos de decisão e de gestão da coisa pública e que juraram solenemente honrar compromissos assumidos.

A vontade permanente de lutar todos os dias para estar próximo de quem precisa saber mais e assim melhor decidir é o que nos move. E a confiança e preferência de quem nos lê, segue, critica e estima é o que nos anima.

Ricardo Miguel Oliveira
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