Voltei

03 Jun 2019 / 02:00 H.

1. Livro: Em “A Sentinela”, Richard Zimler conta-nos mais uma história passada em Portugal. Desta feita, um policial que anda à volta da investigação que Henrique Monroe, inspetor-chefe da Polícia Judiciária, conduz sobre o assassinato de Pedro Coutinho. Um livro actual que se lê de uma assentada.

2. Disco: “California Son” do grande Morrissey. É Morrissey e para mim fica tudo dito, mesmo e apesar das suas últimas posições políticas. Ah, e antes que passe, é um disco de versões de músicas de Roy Orbison, Gary Puckett, Bob Dylan, 5th Dimension, Billie Joe Armstrong, Dionne Warwick e outros. É Morrissey.

3. Apesar de a Iniciativa Liberal ter tido o seu melhor resultado de sempre, estaria a mentir se dissesse que não estava à espera de melhor.

De qualquer dos modos, queria deixar bem claro que considero que, nas Europeias, perdeu toda a gente. Ter uma taxa de abstenção nacional a roçar os 70%, é claro sinal de derrota. Mesmo e apesar das regras de recenseamento terem mudado.

Perdeu a Europa, perdeu Portugal e perdeu a Madeira.

Perdemos todos. E perdemos porque não reconhecemos à Europa o papel determinante que esta teve no nosso desenvolvimento. Sem ela seriamos pouco mais do que éramos em 1986, ano em que aderimos à CEE.

Memória fraca de muitos e incapacidade de explicar, aos mais novos, a importância que tiveram e têm os fundos europeus no nosso desenvolvimento passado e futuro, que nos trouxeram até aqui.

Cantar vitória nestas condições é sinal de menoridade. Seja lá para quem for.

Tentámos, com a nossa campanha, alertar para isto. Não o conseguimos. A nossa voz perdeu-se no “enorme ruído” provocado pelos que quiseram fazer das Europeias uma espécie de primeira volta das Regionais.

Encerrado este momento, contem agora connosco para discutir os assuntos da Madeira nas eleições certas. Com as nossas propostas, as nossas ideias, a nossa maneira diferente de estar na política.

Queria agradecer, um a um, todos os 997 votos na Iniciativa Liberal.

São votos de quem não via o seu voto como “útil”. Compete-nos provar, daqui para a frente, que não foi “inútil”.

Rigor, vontade, conhecimento, empenho, educação cívica, ética e moral, são os princípios basilares que nos norteiam. E será sempre assim. Sem desvios nem concessões.

Perguntava-me, ontem, um amigo que em nós votou, “como podia ajudar”. Como somos todos pessoas que pouco mais têm do que o seu tempo para dar, convidei-o a ajudar da única forma que concebemos: juntando-se a nós. Porque é disso que precisamos, de pessoas que acreditem no mesmo em que acreditamos.

Página fechada. Que venham as eleições de Setembro onde, de certeza, iremos ter “o melhor resultado de sempre”!

4. Peço imensa desculpa por destoar da maioria, mas o “não votar” é uma opção. Não gosto dela, duvido mesmo da sua civilidade, mas ter o direito de não usar um direito é lícito.

5. Muito interessante o resultado do PAN obtido por cá. Está de parabéns o Henrique. Foi giro o CDS, no momento imediatamente a seguir às eleições, vir dizer que o seu programa para as Regionais vai ter como tema central as “questões do ambiente, do clima e da biodiversidade”. Porque será? Toca a fazer tudo de novo.

6. Paulo Cafôfo, o tal que ia levar o mandato até ao fim, abandona finalmente, e à pressa, a presidência da CMF.

Até parece que houve alguma coisa que não correu assim tão bem.

Pergunto-me: o quê?

Quanto ao PS, depois de ter ficado sem a Manilha por inabilidade, atira para cima da mesa um Ás de Trunfo...

Inenarrável o episódio da sua saída da Câmara. Deus nosso Senhor lhes perdoe, porque eu não consigo.

7. A entrevista de Paulo Cafôfo à RTP/Madeira foi rasante ao desastroso. Diz-se independente e, no entanto, fala como se fosse o dono do PS; diz que sai agora da CMF depois de, em menos de um ano, ter cumprido com todos os seus compromissos; nega o óbvio, ao negar que sai agora por causa dos resultados das Europeias; vai comprar um hospital, eu repito, vai comprar um hospital; 100 médicos virão logo que ganhe as eleições, fácil; “Eu vou a Lisboa resolver os problemas”, quais foram então os problemas resolvidos?; aeroporto e plano de contingência, foi finalmente uma coisa em que esteve razoavelmente bem; fugiu, como o Diabo da Cruz, quando interrogado sobre o sistema fiscal próprio, mas quer que o PIB aumente em 10% com dinheiros dos privados, como se eles viessem aí só porque foi eleito; depois, andei por ali um bocado perdido, entre a AutoEuropa e o MAR.

8. Nunca deixei, nem deixarei, que a política me separe das pessoas que admiro e de quem gosto. Nunca usei, nem usarei, o argumentozinho soez e o insultozinho sub-reptício, na discussão política, nem admito que o façam comigo. Procuro não chatear ninguém com merdices e muito me admiro de como ainda me dou ao trabalho de responder quando o fazem a mim.

Posto isto, vamos ao que interessa. O Miguel Silva Gouveia assumiu, “de facto”, a presidência da Câmara Municipal do Funchal. Tenho o Miguel por pessoa séria e empenhada. Reconheço-lhe competência e conhecimento.

Tenho a certeza de que o Funchal vai ficar bem servido.

Da minha parte, recebe os meus sinceros parabéns meu caro.

9. E enquanto distraídos, o “fascismo” fiscal fez operações STOP no norte do país, para apanhar contribuintes incumpridores e preparava-se para assaltar festas de casamento onde certamente procuraria penhorar as “sogras”. Como é ano de eleições em Outubro, o correspondente ministério acabou logo com a coisa.

10. O Estado português apropriou-se ilegalmente de 1.235,92€ que me pertencem. Foi há mais de dois meses e, reconhecendo-me razão, persiste em não devolver o que é meu.

Será que posso ir para a rua e penhorar o primeiro carro do Estado que veja passar?

11 “O registo de navios, o MAR, que é subaproveitado e está no top três europeu. Na área do digital, por exemplo, o cluster do digital, das empresas do digital, no shipping, hoje em dia é uma área de grande sucesso e não depende da ultraperiferia que nos padecemos” – Paulo Cafôfo, candidato a Presidente do Governo em entrevista à RTP/Madeira.

Nuno Morna

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