Todos por um...

Não estou, nem sou contra o futebol. A magia de ter tantos seguidores deve ser colocada num lugar de relevo

14 Fev 2019 / 02:00 H.

Numa altura em que os 3 principais clubes de futebol da Madeira sofrem dificuldades evidentes, com o União nas divisões inferiores do futebol português e o Nacional da Madeira bem como o Marítimo em posições periclitantes na tabela classificativa, vem cada vez mais à tona a necessidade de reorganizar o futebol e talvez o desporto como um todo na ilha. Confesso que, visto de fora, sempre me fez confusão a dispersão dos apoios do Governo entre tantas SAD´s o que acaba por servir mais alguns interesses instalados do que propriamente a Região em si que, valha a verdade, se tivesse um único clube que unisse todos os madeirenses à semelhança do que aconteceu no andebol (e bem) com o Madeira SAD conseguiria um conjunto bem mais forte, provavelmente com capacidade para ombrear com clubes como o Braga e “morder os calcanhares” aos ditos Grandes (Benfica, Sporting e Porto).

Um clube forte na Região permitiria através da entrada natural todos os anos nas competições europeias amenizar e quem sabe justificar através da promoção da ilha, o investimento quase obsceno que vai sustentando os clubes quando existem tantas áreas a necessitar de apoios. E não me parece que seja propriamente um problema político mas mais cultural, enraizado na mentalidade das pessoas que continuam a não querer ver o óbvio e a abdicar das suas cores, levando até, por absurdo muitos que por aí vejo a festejarem efusivamente as derrotas do clube vizinho, parecendo por vezes mais importante ver o outro em baixo do que o seu clube numa caminhada vitoriosa.

Não falo, para que fique claro, de encerrar as inúmeras colectividades que existem e bem nos diferentes concelhos. Os clubes devem continuar a existir e a servir os seus propósitos nomeadamente nas modalidades amadoras e na formação dos milhares de jovens que devem ser incentivados para a prática do desporto como estilo de vida saudável e no preenchimento do seu gozo pessoal como também na estimulação da salutar competitividade entre eles e no crescimento social e cognitivo. As próprias modalidades amadoras, tantas vezes relegadas para segundo e terceiro plano, são fundamentais para o eclectismo e a diversidade e devem ser acarinhadas e tidas em melhor conta para que a Região não viva só do futebol e possam despontar jovens valores capazes de catalizar a imagem da terra.

Não estou, nem sou contra o futebol. A magia de ter tantos seguidores deve ser colocada num lugar de relevo e importância na sociedade, mas não podemos, por isso, fechar os olhos à razão. Não me parece ser do interesse de ninguém existir uma Primeira Liga sem clubes madeirenses e quem cá vive ficará por certo triste por não poder assistir aos jogos dos grandes palcos. Acho que é altura de existir uma reflexão profunda neste âmbito, aproveitar as verbas canalizadas para o futebol e rentabilizá-las verdadeiramente num clube que sirva a Região lá fora e leve a bandeira azul e ouro com a cruz da Ordem de Cristo ao centro por esse Mundo fora, trazendo-a para as luzes da ribalta como tão bem tem feito Cristiano Ronaldo. Mas um dia, Cristiano deixará de jogar e é importante a Madeira não ser esquecida no panorama futebolístico internacional.

Faço, por isso, um apelo para que se juntem com o propósito de criar uma verdadeira força que possa aproveitar depois as formações dos diversos clubes num formato quase de selecção da Madeira para que todos possam apreciar e apoiar uma camisola vencedora que traga enriquecimento para as outras áreas da sociedade e reais mais-valias para o desenvolvimento de toda uma ilha. O futebol não pode ser só gastar tem que trazer benefícios tácitos. Precisa-se uma versão “Um por todos e todos por um! “

José Paulo do Carmo
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