Sinais de Alerta de Socialismo

21 Out 2019 / 02:00 H.

1. Livro: “O Leopardo” de Giuseppe Tomasi di Lampedusa. O príncipe de Salina, Don Fabrizio, sabe que é o último da sua espécie. O seu filho herdará o título, mas não aquilo que o Príncipe representa. Garibaldi desembarcou na Sicília e derrubou a monarquia em Nápoles. Tancredi, o seu sobrinho junta-se aos rebeldes e quer que o seu tio faça o mesmo. Num dos diálogos mais importantes do livro, Tancredi diz ao tio: “É preciso mudar alguma coisa, para que tudo fique na mesma”. Tão actual, não é?

2. Disco: Por um acaso do destino vi há dias o filme “Elis”. Uma biografia da Pimentinha que vale mesmo a pena. Vi-o no canal Globo. O disco também anda por aí. Uma espécie de “Best Of” da cantora, onde podemos ouvir algumas das suas músicas mais conhecidas.

3. Num viver democrático, terão sempre que prevalecer valores como a iniciativa, a actuação, a autonomia e a soberania. A iniciativa, pois é ela que permite que as coisas aconteçam. A actuação para que possamos agir com um propósito. A autonomia que admite a acção independente. E a soberania que nos faculta a tomada de decisão competente.

Não tendo eu a mestria de Umberto Eco, permito-me, e perdoem-me a ousadia, como ele sobre o Fascismo, fazer uma tabela que ajude a detectar os sinais de Socialismo que inibirão a iniciativa própria, a actuação específica, a autonomia individual e a soberania de cada um:

1. A necessidade de regular as pessoas desde o berço até o túmulo negando a responsabilidade pessoal;

2. A promoção da dependência do governo e a necessidade de pedir desculpas pelas obrigações;

3. Muito estado na economia, com muitos impostos, taxas e taxinhas;

4. Muitas empresas públicas, observatórios, fundações, institutos, etc.;

5. A prescrição da reclamação e da imputação de culpa;

6. A defesa da igualdade absoluta em detrimento da equidade;

7. O não gostar dos deveres de cidadania e idolatrar os direitos;

8. A veneração do Estado todo-poderoso que tem a presunção de ser o único garante do bem-estar material de todos, fornecedor de saúde para todos, protector da auto-estima de todos, corrector de todas as desvantagens sociais e políticas, educador de cada cidadão e eliminador de todas as distinções de classe. Em suma, um estado paizinho que tudo assume e tudo decide por todos, transformando-se assim em factor de inibição de liberdade;

9. O não gostar da competência, da liberdade individual e da auto-estima;

10. A irrelevância das instituições sociais privadas;

11. A muita regulação e a pouca fiscalização;

12. O centralismo;

13. A prevalência do colectivo sobre o individual.

4. A última das ignorâncias que por aí andam, é a azia de alguns néscios de achar que um liberal é assim uma espécie de neofascista, é extrema-direita, totalitarismo ou populismo. Segundo as características comummente aceites para identificar um fascista, este terá que ser nacionalista ou nativista, antiparlamentarista, profundamente estatista, centralista e antidemocrata.

Um liberal nunca poderá ser de extrema-direita porque a sua maneira de ver o mundo é oposta ao nacionalismo, ao nativismo, considerando-os coisas do passado. O liberalismo vê o mundo como um todo. Reconhece a idiossincrasia dos povos e considera importante a necessidade do bom relacionamento entre todos como garante de paz, liberdade e democracia.

Um liberal nunca poderá ser um totalitarista porque é profundamente parlamentarista. Aliás, o liberalismo nasce de mãos dadas com esta tipologia de regime. A democracia parlamentar está no sangue de qualquer liberal.

Um liberal nunca poderá um fascista porque vê no estado a necessidade da gestão de um mínimo denominador comum. Pouco estado, que regule pouco e acima de tudo fiscalize muito o que regulou. Um estado eficiente e pequeno. Um estado onde todos se reconheçam e seja o garante da liberdade de cada um. Não deve o Estado interferir no corpo social e na sociedade civil além do necessário.

Um liberal nunca poderá ser neofascista porque é anti centralista. Entende que a subsidiariedade determina que nada deve ser feito por uma maior e mais complexa organização, que possa ser feito tão bem, ou melhor, por um modelo organizacional menor, mais simples e eficiente. Um liberal é um descentralizador por excelência.

Um liberal nunca poderá ser um radical porque respira democracia porque faz da liberdade o tema central de todo o seu pensamento.

Um liberal defende com unhas e dentes as liberdades individuais, a liberdade política, a liberdade social e a liberdade económica.

Pensar que somos fascistas ou o que seja, porque defendemos a redução da despesa pública, menos impostos, menos estado na economia, liberdade de escolha, combate à corrupção e o ao nepotismo, competitividade e sustentabilidade, descentralização e reforma do sistema político, etc., pensar que somos fascistas por tudo isto é ignorância e notória falta de conhecimento.

5. O liberal Gergely Karacsony, à frente de uma coligação alargada, ganhou a câmara de Budapeste. Aconteceu o mesmo em muitas das principais cidades húngaras, onde os candidatos do Fidesz de Viktor Orbán foram derrotados.

O liberalismo a derrotar o populismo. Como deve ser.

6. No Porto Santo arranjou-se um tal de acordo que permitiu pagar uns terrenos onde está construído o Penedo do Sono. Uma ninharia de quase 6 milhões de euros por uns terrenos onde, não se sabe como, foi permitido construir uma infraestrutura para a qual não havia acordo com os proprietários. E isto passou pelo Tribunal de Contas como se fosse manteiga.

Continuamos impávidos e serenos a olhar para estas coisas com toda a naturalidade. Como se nada se passasse.

Rouba-se, trafulha-se, engana-se, burla-se e ninguém é responsabilizado por isso. À boa moda e tradição socialista... desculpem, social-democrata (como se houvesse alguma diferença).

E depois andam para aí uma meia dúzia de idiotas como eu que não se conformam e que por isso barafustam e indignam-se. Pergunto-me todos os dias se vale a pena...

PS: vejam lá se há alguém do PSD, PS ou CDS a barafustar por causa da negociata. Então era isso...

7. Está-se mesmo a ver porque é que Centeno não assinou a tal carta onde teria que dizer qual é a percentagem pela qual se responsabilizará o Governo da República em relação à construção do novo Hospital.

O valor teria que ser o certo e nunca poderia escrever que a responsabilidade da república é de 50%, porque não é.

Ah povo enganado. Continuem a votar útil e a ser atraiçoados.

8. “Os Estados Unidos e a Itália estão unidos por uma herança cultural e política compartilhada que remonta à milhares de anos, à Roma antiga...” — Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América. Tanto poder e tanta ignorância.

Nuno Morna

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