O tempo mudou... e nós mudamos com ele

A realidade é que a temperatura e o efeito que a mesma emana em nós é sintomático de alguns comportamentos e opções que tomamos mas também toma normalmente de assalto o nosso chamado estado de espírito

22 Ago 2019 / 02:00 H.

É cada vez mais complicado para quem gosta de Sol, Praia e calor marcar férias na agenda. Enquanto antigamente as estações do ano eram bem vincadas e demarcadas como que a papel químico ano após ano hoje em dia , sinal dos tempos , deparamo-nos com uma meteorologia cada vez mais volátil e tropical. E não me parece que o Mundo esteja para acabar como muitas almas logo apregoam de cada vez que se fala do assunto. É apenas a mutação natural do nosso Planeta , que incluem as já sobejamente conhecidas agressões e poluições a que todos os dias o submetemos mas também condições tão diversas e pouco conhecidas como alteração das lógicas do Universo, mudanças das correntes do Mar e das minúsculas partículas que compõem o ar e a Terra. O que é certo é que o tempo mudou...e nós mudamos permanentemente com ele porque temos que nos adaptar às novas condições de uma forma pragmática.

A realidade é que a temperatura e o efeito que a mesma emana em nós é sintomático de alguns comportamentos e opções que tomamos mas também toma normalmente de assalto o nosso chamado estado de espírito , as nossas vontades , motivações e determinações. Não é por acaso que é bem mais simples acordarmos com um Sol resplandecente a bater na janela como que a convidar para um passeio lá fora ou para uma manhã que nos reserva boas sensações do que propriamente para um amanhecer taciturno, chuvoso e invernoso que por vezes nos trás ao íntimo vontades mais depressivas de nos aninharmos ainda mais na cama, nos escondermos no cobertor e desejarmos que o tempo volte para trás para ficarmos ali mais um pouco, quentinhos e fechados em nós sem termos que levar com a cara do nosso patrão rezingão que misturada com essa chuva faz um cocktail de sabor mais duvidoso que o pior dos xaropes que tomávamos em criança.

Somos muito do que o termómetro nos indica. Não será por isso de estranhar que os Países que mais taxa de suicídio apresentam são os mais gelados e escuros e que esses mesmos sejam ao mesmo tempo os que se apresentam mais rigorosos e competitivos. Se ao sair de casa tivermos chuva mais facilmente teremos que nos concentrar no trabalho sem muito a fazer para além disso. Essa é uma das razões para termos os Países mais quentes mais desleixados. É que um calor tórrido puxa o suor mas puxa ainda mais a imaginação e será fácil de ver que nos apetece fazer mil e uma coisas para além do trabalho até porque afeta a concentração e o rendimento. Ainda por cima para pessoas que vivem perto da praia e que mais facilmente percebem que os principais prazeres da vida dependem de pouco dinheiro. Chinelo no pé, calçãozinho ou bikini e mergulho no mar ou passeio no calçadão está perfeito e não é indexado a grande investimento.

Este Verão tem sido especialmente atípico com chuva, vento e um calor menos apetecível do que o habitual por esta altura. O que vem deitar por Terra algumas vozes mais cinzentas para quem o aquecimento global nos vai aniquilar em dois tempos embora como é óbvio devamos estar atentos a ele e a tudo o que possa ser tóxico para o que nos rodeia defendendo assim as próximas gerações a quem temos obrigação de deixar isto no mínimo como o apanhámos mas de preferência melhor. Demonstra isso sim que o calor virá depois, numa altura já pouco expectável. Por exemplo esta semana já nos está a dar sinais disso, de uma recuperação daquelas noites escaldantes que nos faziam apetecer dançar na rua e beber refrescos até o calor dar um pouco de tréguas e conseguirmos enfim fechar os olhos e dormir. As estações como as conhecíamos são cada vez mais recordações. Invernos com pouca chuva, temporais mais intensos e duros, intempéries e tempestades mais agressivas e perigosas mas também temporadas mais secas e prolongadas. Temos que nos saber adaptar e mudarmos com o tempo para que isso aumente também a nossa qualidade de vida. Afinal de contas é isso que todos procuramos.

José Paulo do Carmo
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