O Mundo multipolar

24 Out 2019 / 02:00 H.

No fim da Segunda Guerra Mundial emergiram dois países como as grandes potências globais. Os Estados Unidos da América com o seu regime capitalista e a URSS ( União Soviética ) no domínio socialista.Ideais completamente opostos que acicataram a rivalidade entre ambos. Foi dessa disputa ideológica que surgiu a famosa Guerra Fria.Um nome que foi dado pelo simples facto deste conflito pela hegemonia Mundial ter acontecido apenas no plano ideológico nunca tendo chegado a existir uma declaração de Guerra oficial entre os blocos.Esta fase teve o seu apogeu com a criação do muro de Berlim que dividia Berlim Ocidental ( capitalista ) de Berlim Oriental ( socialista ) , apelidada por Winston Churchill de cortina de ferro que simbolizava a divisão da Europa em duas frentes distintas.A sua queda em 1989 ditou para muitos o fim desta bipolarização embora a história normalmente retrate esse final dois anos mais tarde com o desmoronar da União Soviética.

Esperava-se que o Mundo melhorasse desde então, que a política amadurecesse e as pessoas aprendessem com os erros , sobretudo aqueles que nos levam aos conflitos armados e em que invariavelmente todos acabam por perder mas sobretudo os civis que se vêem envolvidos no meio destas disputas. Tal não aconteceu e temos hoje em dia um mapa cada vez mais perigoso que nos leva a questionar quem são estes homens que nos lideram e até onde isto irá parar.Nem mesmo o aparecimento do Papa Francisco e o fortalecimento da União Europeia que mais do que uma união económica se veio a revelar uma união de Paz conseguiu controlar os instintos de alguns.Temos por isso uma ordem mundial multipolar com o crescimento da China e de outras super potências e é por isso de realçar que ninguém parece ter controlo sobre a situação.

Desde os ímpetos independentistas e de autodeterminação da Catalunha e até mesmo do Quebec e de outros sítios de forma ainda pouco notória ao problema social e de autonomia de Hong Kong.Do eterno conflito da Palestina entre Israel e os Estados Árabes vizinhos ou mais recentemente esta desfaçatez do ditador Erdogan na Turquia em relação ao Povo Curdo provocando uma Guerra com a Síria.Os inúmeros casos por resolver ainda em África às posições cada vez mais estúpidas de lideres que ficarão para a história como instigadores da violência e com muita dificuldade em se tornarem referências como Trump , Nicolás Maduro ou Bolsonaro podemos facilmente perceber que da direita à esquerda o Mundo está podre, os ideais são retrógrados, desatualizados e até descontextualizados, as pessoas estão fartas de pagar por erros que não cometem , cheias de serem roubadas enquanto uns quantos vão enriquecendo usando e abusando da sua boa vontade.

É por isso cada vez mais difícil podermos estar descansados em cantinho algum. Descansados e de consciência tranquila com tanta pobreza ainda latente no século XXI bem como com temas como o dos refugiados que inquieta qualquer pessoa de bom senso e que tenha o mínimo de sensibilidade.Aquilo que era há uns anos um dado perfeitamente definido e com barreiras identificadas como a segurança tornou-se nos dias que correm num bem em extinção e por isso mesmo de um valor incalculável.Veja-se os atentados em Países desenvolvidos que põem a nu a dificuldade em fazer face a fenómenos como os da Al-Qaeda e de outros extremismos.É por todas estas razões que neste aspecto somos uns afortunados. Portugal continua a ser mesmo com todos os aldrabões que nos passam à frente um Paraíso para se viver. É no entanto fundamental não nos abstrairmos do que se está a passar um pouco por toda a parte. Desde o Brexit ao reacender de alguns problemas antigos nos Países de Língua Portuguesa. A verdade é que o perigo vai pairando seja económico ou social e o ar que se respira vai trazendo ventos que suscitam muita preocupação em relação ao que aí vem...

José Paulo do Carmo
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