Parece-me por isso positiva esta solução deixando de ser o PSD contra “o resto do Mundo”

26 Set 2019 / 02:00 H.

Ironia do destino, um dos partidos que mais perdeu nestas eleições foi, afinal, o vencedor da noite e o único com presença assegurada no próximo Governo Regional da Madeira. Ao invés, aquele que mais ganhou e subiu acabou por perder, saindo com um sabor amargo que nem os sorrisos no final da noite conseguiram disfarçar. A verdade é que o CDS acaba por ser vítima da sua própria estratégia de comunicação. Quando deixou no ar a ideia de que se poderia coligar à esquerda ou à direita se assim ficasse determinado nos resultados acabou por ser um dos grandes instigadores do voto útil mostrando cedo demais ao que vinha e adivinhando aquilo que talvez fosse como se veio a comprovar provável, mas que não deveria ter sido dito para que se assumisse como uma alternativa mais consistente e independente.

Isso não apaga, no entanto, aquilo que de bom foi feito e o que podem aportar a esta nova legislatura. Está ainda bem vivo na minha memória o simpático convite que me foi endereçado pelo José Manuel Rodrigues para fazer parte do painel organizado pelo Partido para discutir a Cultura da Madeira há cerca de 3 meses. E devo dizer que fiquei muito bem impressionado com aquilo que vi e com as palavras que tive oportunidade de trocar tanto com ele como com o Rui Barreto. Naquela que foi a décima segunda conferência intitulada “Ouvir a Madeira” e que abrangeu os temas mais importantes da ilha e que posteriormente viria a servir de base para o desenvolvimento do Programa de Governo do Partido. Cedo mostraram como sempre disseram que as suas promessas eram também o seu caderno de encargos e foram dos poucos que vieram a terreno discutir ideias, abrir o seu programa à sociedade civil, que tiveram a coragem de vir discutir e ouvir as pessoas e que as convidaram a participar com os seus testemunhos e experiências.

É por isso que não deixo de achar positiva esta nova forma de governação, com dois partidos que têm muitos pontos em comum e uma história de caminhadas conjuntas. Será com toda a certeza uma negociação difícil e demorada. O PSD não quererá abdicar facilmente de aquilo que em tempos foi só seu e do lado do CDS existirá a certeza que o PSD precisa deles para constituir um Governo estável e seguro para os próximos 4 anos e pode cair na tentação de esticar a corda em determinadas pastas ou matérias. Importante será assegurar que o caminho do desenvolvimento se mantém, agora num espectro mais alargado sendo essencial que o próprio CDS assuma os seus lugares numa lógica de comprometimento com uma Governação conjunta onde ambos serão responsáveis no sucesso ou insucesso.

Parece-me por isso positiva esta solução, deixando de ser o PSD contra “o resto do Mundo” para ter ao seu lado um parceiro que lhes permita a ambos consolidar as suas posições e ter uma aceitação mais coerente no que diz respeito à própria população. É premente o desenrolar de vários nós quer na Saúde ou na Mobilidade, na Autonomia e no Turismo e o tempo de tomar decisões não pode esperar mais. Ficamos todos à espera que António Costa assegure desde Lisboa os compromissos que havia assumido a Paulo Cafôfo. Os madeirenses merecem e a Madeira e o Porto Santo também. É tempo de enterrar machados de guerra e trabalhar para que daqui a 4 anos todos possamos dizer que valeu a pena e que esta solução conseguiu catapultar a ilha para outros patamares.

Quanto à hipótese do CDS se unir ao PS e ao JPP parece-me remota. Primeiro, pelo assumir de posições após as eleições e depois porque é justo que a lógica de que a quem tem mais votos seja dada a hipótese de formar Governo. Não estou a ver o PS unido à extrema esquerda no Continente e à direita na Madeira. Seria contra natura e até pouco recomendável para a nossa democracia. Deixo para o fim um voto de esperança e de contentamento pela redução dos níveis de abstenção. Uma lição para todo o País. Parabéns ao PSD que venceu mais uma vez as eleições Regionais. Estar no Poder tantos anos e ter mantido a votação das eleições anteriores não deixa de ser notável. Um sinal que os “jogos” só acabam no fim. Quem diria em Janeiro que seria assim. Quando parecia ser um passeio para Paulo Cafôfo e companhia... Foi por pouco? Foi. Mas foi...

José Paulo do Carmo
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