Lição de vida

A Liga cumpre o seu Compromisso de prevenir o cancro e de apoiar os doentes oncológicos, em particular os que têm menos posses, para lutarem pela sua cura e recuperação. A luta continua!

10 Nov 2018 / 02:00 H.

Vim da rua mais humano, mas com alguma deceção em relação ao “ser humano”. Foi, pelo segundo ano, uma experiência única participar no peditório anual da Liga Portuguesa Contra o Cancro, no centro do Funchal. Em conjunto com outros políticos, jornalistas, médicos, desportistas e personalidades da vida pública experienciei, de novo, um contacto direto com os cidadãos, tentando obter o máximo de donativos para a Liga. A generosidade das pessoas para esta Causa, que deveria ser de todos, é boa e revela que a solidariedade ainda é um valor na nossa sociedade. Depois de anos a pedir votos, esta experiência foi muito enriquecedora e mais abrangente. Desde logo, constatei que são os mais velhos e, curiosamente, os mais novos, os que estão mais despertos para ajudar e para incentivar o nobre trabalho da Liga de prevenção contra o cancro e de apoio aos doentes oncológicos. Uma senhora, humilde e vivendo de uma baixa pensão, verteu todas as moedas que tinha na sua carteira para o mealheiro que eu tinha ao pescoço. Um jovem, condutor de tuk-tuk a quem abordei, doou a gorjeta do dia. Que lição de Vida. São estes comportamentos que ainda me fazem crer que o ser humano tem futuro. Outros nem por isso...

Pessoas que conheço e que sei que usufruem de bons rendimentos, simplesmente ignoravam os voluntários da Liga ou mudavam de passeio e outros, ainda, remetiam-nos para os apoios governamentais, recusando um contributo. Parece mentira, mas é verdade e pode ser testemunhado pelas dezenas de voluntários que estiveram nas ruas. Esquecem o que a Liga tem feito, com poucos meios, cujo exemplo mais visível é o trabalho desenvolvido nos nossos Hospitais.

Numa sociedade como a nossa em que não há dinheiro para sustentar, por muito mais tempo, o Estado Social que erigimos, as Instituições Particulares de Solidariedade têm um papel decisivo em chegar onde o Estado não consegue estar, sobretudo junto das camadas mais vulneráveis da nossa comunidade. É verdade que existem associações que pelas suas más posturas e comportamentos e até por usarem indevidamente os bens que lhes são doados, criam uma má imagem da solidariedade e do voluntariado. Mas não tomemos a árvore podre pela floresta sã, pois é preciso separar o trigo do joio e há instituições que merecem todo o nosso apoio, pela sua história e pelo seu trabalho e forma de estar na sociedade.

Hoje, qualquer sociedade democrática e civilizada já não passa sem este terceiro pilar que é a chamada economia social e que, obviamente, vai muito para além do voluntariado e compreende respostas a nível do apoio à infância, da educação, da saúde e do combate à violência doméstica, à pobreza e à exclusão social. Estima-se que em Portugal existam 55 mil instituições sem fins lucrativos , empregando 260 mil trabalhadores e contribuindo para 3,8 por cento do Produto Interno Bruto. É um setor essencial na prestação de serviços ás populações, pela sua proximidade ás pessoas, pela flexibilidade do seu funcionamento e pela forma como operam no terreno, respondendo mais célere e eficazmente do que as administrações públicas. Num momento em que o Estado Social está sem sustentabilidade e precisa de ser reformado para poder responder aos novos desafios como o envelhecimento da população e a baixa natalidade, estas instituições podem e devem ter uma ação, ainda, mais decisiva na nossa sociedade e a participação dos cidadãos na sua organização deve ser incentivada e promovida. Cada um tem a sua Missão e aos Estados e aos Governos compete apoiar a Economia Social, as Organizações da Igreja, as Santas Casas e as Instituições Particulares de Solidariedade Social porque todas são cruciais para evitar ruturas no tecido social e para termos uma sociedade mais justa e com iguais oportunidades para todos. Os que pretendem estatizar estas instituições, ou deixar de as apoiar financeiramente, como os radicais de esquerda, desconhecem a nossa história, não reconhecem o seu papel determinante na ajuda aos mais vulneráveis e, sobretudo, não conhecem de que fibra é feito o madeirense solidário.

Como escrevi, há um ano “muitos cidadãos a quem o infortúnio bateu à porta, como os deficientes, os órfãos, os abandonados, os toxicodependentes, as vítimas de tantas violências e aqueles que ficaram nas “margens do desenvolvimento” encontraram e encontram nestas organizações um lugar de acolhimento e uma oportunidade de renascer para a Vida”. A Liga cumpre o seu Compromisso de prevenir o cancro e de apoiar os doentes oncológicos, em particular os que têm menos posses, para lutarem pela sua cura e recuperação. A luta continua!

Escolhas

Quem?

A Universidade Católica está a assinalar 50 anos, mas já tem uma brilhante história. Estima-se que 6.500 empresas são geridas por ex-alunos e que 1.700 IPSS são dirigidas por quem lá estudou. Notável.

O quê?

312 ativistas de Direitos Humanos foram assassinados em 2017. A notícia veio no rodapé da imprensa. Em que mundo estamos em que a dispensa de um treinador merece mais atenção que a Vida e as liberdades?

Onde?

No Teatro Municipal, hoje com início ás 18h, o recital a quatro mãos e dois pianos dos italianos Marco Sollini e Salvatore Barbatano inserido na quarta edição do Madeira PianoFest. Bom programa.

Quando?

Em 2019, vamos pagar menos IRS, as empresas menos IRC e os passes sociais nos transportes terrestres, vão ser, substancialmente, mais baratos, graças às propostas do CDS acolhidas no Orçamento regional.

Porquê?

É inconcebível a partidarização das comemorações dos 600 anos. As oposições não foram convidadas para o Dia da Descoberta do Porto Santo. Que se saiba não foi o PSD que descobriu o arquipélago...

Como?

Os Estados Gerais do PS ainda não trouxeram nada de novo à política regional. Já lá vão não sei quantas sessões temáticas e não retive uma única ideia ou solução, mas o problema deve ser meu...

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