Estes criminosos (fogos...)

Continuarmos a instigar a debandada das pessoas todas para o Litoral não alimentando o resto transforma-nos apenas em meio Portugal

09 Ago 2018 / 02:00 H.

Os anos passam, os fogos mantêm-se. Vão-se embora vidas, casas, florestas. Com tanta invenção feita no Mundo ainda nada foi inventado para parar ou pelo menos combater de forma mais eficaz este flagelo. Apenas criações maléficas como esta que vos mostro na imagem. Um engenho incendiário com pára-quedas incluído para mais facilmente atingir os pontos onde o acesso se torna mais complicado. É sabido que a grande maioria dos incêndios têm origem na perversidade humana seja ela através de inúmeros interesses económicos ou tão só de problemas psíquicos graves que lhes adoça o sabor do perigo, da tragédia e do instinto pirómano.

Seja de que forma for é urgente meter mão nisto e tornar este tipo de acontecimentos a excepção e não uma normal telenovela que se repete todos os Verões. Se existem fortes indícios de que muitas vezes o fogo posto deriva dos tais interesses económicos pois que se acabem com eles ou se estabeleçam regras. Se é de facto como dizem e se são os eucaliptos (apelidados de árvore gasolina) a causa da grande maioria dos males quer seja pela sua caracterização altamente inflamável ou pela sua alta rentabilização pois que se condicionem as suas plantações e que quem as tem seja responsabilizado por elas obrigando-as a certo tipo de exigências. Se eu tiver que escolher entre os eucaliptos ou as pessoas e as suas casas optarei sempre pelos segundos mesmo que isso implique prejuízos para alguém.

Em relação a esse esgoto da sociedade que são os incendiários e seus mandantes tem que de uma vez por todas se definir no quadro legal penas severas e que as mesmas sejam publicitadas para mostrar a quem o faz o risco em que incorre. Não podemos ser brandos e condescendentes com quem “planta” tanta desgraça, tanto desespero e mágoa. Não podemos permitir que se continue a alimentar esta economia paralela do fogo que todos os anos tira vidas humanas, animais, casas e bens diversos pelos quais as pessoas lutaram e trabalharam. É urgente erradicar esta praga que nos leva as paisagens, nos consome florestas tão importantes para a nossa biodiversidade mas também para a nossa saúde nem é justo que no século XXI uma pessoa passe uma época inteira de sufoco ano após ano só porque vive no campo sempre com o pensamento de “quando é que me irá calhar a mim?”.

Todos estes fenómenos contribuem também de forma acentuada para a desertificação do interior e das zonas mais rurais. Isso por muito que seja do interesse de alguns é extremamente perigoso para um País pequeno e já de si repleto de desequilíbrios. Continuarmos a instigar a debandada das pessoas todas para o Litoral não alimentando o resto transforma-nos apenas em meio Portugal. Desigual, injusto e sub aproveitado. Era tempo também de começarmos a ter uma sensibilidade social e coletiva mais apurada. Limpeza dos terrenos, cadastro, emparcelamento um cuidado especial com o que é nosso. Em vez de perdermos tempo a tirar uma fotografia com meia dúzia de caixas de água no quartel dos Bombeiros para ficarmos bem vistos nas Redes Sociais e para que as pessoas pensem que somos fantásticas pessoas pensarmos durante o resto do ano no que também nós dentro daquilo que deve ser a nossa consciência cívica temos algo a fazer.

É fundamental que estas imagens da luta que os nossos Soldados da Paz, os Heróis sem Capa que tantas vezes elogiamos não nos saiam da cabeça e tenhamos nós capacidade para exigir que se faça mais e melhor para que também eles possam ter a vida mais facilitada e possam ser recompensados para além de um obrigado. Que as populações afetadas sejam de facto apoiadas e ajudadas quando as televisões se forem embora porque será nessa altura que mais precisarão de todos nós.

José Paulo do Carmo
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