Coligações? NÃO OBRIGADO!

12 Ago 2019 / 02:00 H.

1. Livro: nestes tempos que vivemos, nada melhor que ler “O Estrangeiro” de Albert Camus, o livro central da sua fase do absurdo. A acção passa-se na Argélia. Numa Argélia sem sentido que procura criar um qualquer significado para se suster. A história de Meursault, uma personagem aparentemente vazia de sentimentos, que nos leva a questionar o sentido da existência.

2. Disco: Sempre achei os Violent Femmes uma espécie de “Bob Dylan meets Monty Python”. Intervenção qb misturada com muito humor. Em “Hotel Last Resort”, o seu último trabalho, revelam a mesma fórmula e não desiludem. Aquele som despretensioso, de quem se diverte, a remeter para algum som dos 50’s e dos 60’s, cheio de clichês muito bem trabalhados.

3. As Eleições Regionais estão aí à porta. Não duvido do amor à Madeira de todos os candidatos a esta contenda. Mas pergunto-me se não estaremos em presença de amores diferentes.

A uns, ao fim de mais de quarenta anos, entre coisas bem-feitas e outras completamente erradas, só por amor se podem redimir deste último mandato onde imperou a trapalhada. A outros, só por amor se justifica a carga de asneiras que vai sendo dita aqui e desdita acolá.

Outros há que o amor é tanto que se dispõem a cair para o lado que mais lhes convier. Depois vêm os da cassete e do dito repetido até que se torne em verdade. Pessoas inteligentes que só por amor dizem o que dizem. E os que se fecham em dogmas sem sentido, em manuais mal estudados, com os olhos toldados por amor.

Há-os desprovidos de ideologia. Donos de uma forma de fazer política telúrica e a roçar o populismo. Ai o amor.

E o amor de um homem solitário e de um assunto só, que repete à exaustão. Ou o amor umbilical de quem se olha ao espelho e vê o supremo da beleza.

Depois, os que mudam de partido, saltitando de amor em amor, sem uma ideia, donos de um amor vendido. E os arrivistas, a disparar para todo o lado, numa ânsia de tudo atingir, que escarafuncham, com amor, o próprio pé.

Os que amam tudo e que, no fundo, não amam nada, pois, perdem o amor-próprio.

Não consigo conceber a política sem ideias, sem ideologia. Não renego a minha carga ideológica nem por um segundo. É ela que me condiciona, que me dirige, que me faz pensar as coisas. É onde o meu amor se apoia.

Também não acredito em predestinados. O destino é o caminho que cada um escolhe percorrer. Não está escrito nem nas pedras, nem nas estrelas.

As Eleições Regionais estão aí à porta. Que as escolhas sejam feitas em consciência, até porque os partidos não são clubes de futebol.

4. Já tinha a crónica escrita quando lhe tive que arranjar espaço para abordar os últimos acontecimentos.

Estou farto desta forma de fazer política por parte daqueles que se arrogam à intenção de nos virem a governar, a partir das eleições de Setembro.

Estou farto que se esvaziem conteúdos substituindo-os pelos “fait divers” da espuma dos dias.

Estou farto da rudeza e da má educação de quem devia dar exemplos.

Estou farto de quem substitui a batalha política por uma verdadeira guerra.

Estou farto de que não haja o respeito que deveria haver entre adversários, pois estes tornaram-se em inimigos.

Estou farto da mesquinhez política do PSD e do PS.

Esta gente só vem dar razão aos que da política têm a ideia de que serve para que uns se sirvam, prejudicando a maioria. É isto que querem passar para o eleitorado? A mesquinhez, a insinuação torpe, a vitimização, a acusação da presunção, o insulto, a mentira?

É isto que vocês, eleitores, querem?

É isto que aqueles que vão votar esperam de quem os pode vir a governar?

Coligações com esta gente? NÃO, OBRIGADO!!!!!

5. Na terça-feira da semana passada, dia 6 de Agosto, estava uma data de barcos de pesca por descarregar, desde o sábado, dia 3, quer na lota do Funchal, quer na lota do Caniçal.

Normalmente já faltam os recursos humanos nas lotas para que estejam abertas ao fim de semana – aos domingos estão encerradas - agora agravado com as férias de verão. Este é um período de grande actividade na pesca e tudo isto entra no reino do verdadeiro absurdo.

Faltam caixas para o peixe, o congelamento faz-se devagar, ao ritmo daqueles, poucos, disponíveis para o trabalho. O nível de degradação do pescado, nestas condições, é tremendo, potenciando mesmo o aparecimento de bactérias propiciadoras de graves doenças.

Escusado será dizer que este peixe, o que não for para o lixo, se destina ao consumo humano, para os madeirenses e turistas que em breve os terão nos seus pratos.

6. O Presidente da República promulgou as alterações ao subsídio de mobilidade aérea. Os madeirenses podem agora pagar os 86 euros à cabeça sem outras complicações. Isto facilita a vida a todos nós, não se pode negar.

Falta regulamentar (coisa que duvido seja feita antes do próximo orçamento) e falta ver a reacção das companhias. Duvido muito que venha para cá mais alguma, nestas condições, e tenho sérias reservas de que a Easyjet se mantenha.

Ficamos com a TAP, a custar balúrdios a todos nós, mas como isso se resolve mantendo ou criando mais impostos, são poucos os que se preocupam.

Siga o Circo.

7. O direito à greve é um direito de liberdade. Não gosto particularmente desta ferramenta de pressão na mediação de conflitos laborais, mas reconheço-lhe legitimidade. Penso que a inteligência permite o recurso a toda uma outra série de medidas penalizadoras, sem haver necessidade de a ela recorrer.

Para a esquerda, há greves boas e greves más. Se a direita no poder, são todas boas e necessárias. Se convocadas pela CGTP ou pela UGT e respectivas marionetas, então são perfeitas. Se a esquerda está no poder, a greve é uma manipulação dos trabalhadores ou estes são uns mal-agradecidos.

Na URSS não havia greves. Não eram precisas, porque os trabalhadores tinham tudo o que precisavam e em abundância. É por isso que a URSS continua ali, desde sempre, um verdadeiro paraíso laboral. Os massacres de Novocherkassk, Teikovo, e o de 1953 nos Gulag — esses paraísos de socialismo — foram respostas a greves das más. Não era admissível que, no éden dos trabalhadores, estes protestassem. Se eles tinham tudo, certamente as greves só se poderiam dever a dissidências burquesas.

Tem isto a ver com estas greves que assolam o consulado do Partido Socialista. À dos enfermeiros, responde-se com uma pseudo sindicância à Ordem; à dos médicos respondeu, o eminente socialista Francisco George, que devia ser ilegalizada; os professores, os funcionários públicos, ao todo mais de 300 greves durante o mandato. Todas más, obra de mal-agradecidos.

8. Suspendo hoje, novamente, a minha colaboração nestas páginas, neste que é o último dia para a entrega de candidaturas às Eleições Regionais de Setembro nas quais serei candidato. Até breve.

Nuno Morna

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