A desinformação europeia

É por isso por um lado importante debater, esclarecer, informar exaustivamente para que se tirem dúvidas e para que a sociedade perceba o que está em causa

20 Mai 2019 / 02:00 H.

Continuamos a olhar para as eleições Europeias como se não fosse nada connosco. Estão lá ao fundo, é uma questão de somenos que não nos afeta diretamente, já temos tanto trabalho em analisar as questões internas ainda nos vêm com questiúnculas externas... Nada mais errado. Pensar a União Europeia é nos dias que correm pensar Portugal uma vez que estamos cada vez mais dependentes das decisões tomadas em Bruxelas seja a nível político, económico ou social. Dito de uma forma clara e objetiva é na defesa intrínseca das nossas posições junto dos nossos parceiros europeus que está a chave para vivermos melhor ou pior e desde as quotas das pescas à moeda única, do dinheiro que partilhamos ao que vamos buscar é lá verdadeiramente que será determinado o nosso futuro.

Custa-me por isso ver um alheamento tão grande em relação a estas eleições. Parece que não aprendemos nada. Se perguntarmos à maioria da população sobre assuntos relacionados com o tema a resposta é nula ou completamente descontextualizada. Isto parte muito também da forma como se faz política e como comunicamos. Mais uma vez caímos na tentação de misturar alhos com bugalhos e de puxar à baila assuntos internos e intrigas secundárias para garantir votos sem que se discuta o essencial, sem que se elucide as pessoas sobre o que está realmente em causa e acima de tudo sobre os perigos e vantagens reais de termos uma posição estratégica forte ou de pura e simplesmente andarmos lá a fazer figura de corpo presente.

As campanhas para as europeias deviam explicar à população o que é isto da construção conjunta assente no multilateralismo e no Direito Internacional. Neste momento, a União Europeia confronta-se com um conjunto de desafios externos, tais como os fluxos migratórios, a gestão das vizinhanças a sul e a leste, ou as agendas do desenvolvimento e do clima mas também no que tem a ver com a convergência dos estados que a compõem. A inovação, o bem-estar, a nossa segurança a cultura e as diferentes línguas, as igualdades e as oportunidades. Por exemplo existe um variadíssimo número de Fundos Europeus, destinados a apoiar o empreendedorismo, a investigação, o Turismo ou a valorização do património mas também no apoio a projectos inovadores, a empresas jovens na estimulação do crescimento através da sustentabilidade que 99% das pessoas desconhece e mesmo que já deles tenham ouvido falar não têm conhecimento ou alguém que lhes mostre o caminho para se candidatarem.

Estas eleições assumem por isso um carácter decisivo, talvez as mais importantes de sempre com o famoso Brexit, a previsível saída pela primeira vez de Países e logo um dos economicamente mais pujantes mas também para conteúdos relacionados com a forma como lidamos com ameaças externas, a nossa segurança interna e a dos nossos e a relação que isso possa ter com o tema imigração. Que posições para matérias tão delicadas como a soberania ou o emprego. O tema das igualdades e o equilíbrio que terá que existir entre minorias e maiorias num espaço que se quer multicultural e diversificado com direitos iguais mas com respeito por todos atendendo as especificidades de cada um.

É por isso por um lado importante debater, esclarecer, informar exaustivamente para que se tirem dúvidas e para que a sociedade perceba o que está em causa. Porque a Europa não é um problema dos outros. É nosso também e não me parece que estejamos conscientes disso. Por outro é também imperativo que sejamos nós eleitores um pouco mais interessados, que pesquisemos um pouco em busca de respostas e que não nos cansemos de tentar perceber as suas dinâmicas que nos caem no esquecimento às vezes por culpa das nossas vidas assoberbadas ou tão só por mero desleixo ou indiferença. Não deixemos nas mãos dos outros aquilo que é um direito nosso. Votem nas ideias mas votem também nas pessoas que vos transmitem mais segurança porque no fim do dia serão elas que vos irão representar.

José Paulo do Carmo
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