Contas de somar e subtrair

Que as secretarias tuteladas pelo CDS são claramente as que têm menos peso político e orçamental

14 Jan 2020 / 02:00 H.

A proposta de orçamento regional para 2020 é infelizmente um espelho da política banal deste governo regional, sendo que no seu conjunto teremos menos investimento, pagaremos mais impostos, e à parte das garantias dadas pelo Orçamento de Estado do PS, como o aumento do salário mínimo e o futuro hospital, continuaremos sem verdadeiras medidas que solucionem os principais problemas que afligem os madeirenses e porto-santenses, nomeadamente as listas de espera na saúde, a resolução das carências habitacionais da região, um investimento assertivo na coesão territorial e diminuição das desigualdades, a descriminação positiva dos concelhos do norte, e uma decisiva aposta na diversificação da economia que permita a fixação dos jovens e dos mais qualificados.

A lei de orçamento é o principal instrumento político e financeiro que o Governo tem ao seu dispor para executar e implementar a sua estratégia de desenvolvimento regional, nas suas diversas vertentes sectoriais, e deve ser amplamente discutido e debatido, esperando que os cidadãos prestem a melhor das atenções as matérias que terão real influência nas suas vidas.

E o que nos diz este orçamento regional da Madeira e em particular das políticas aplicadas pelo PSD?

Primeiro, que em 2018 crescemos de forma anémica a um ritmo muito inferior ao do resto do País. Enquanto que no País o PIB cresceu em termos reais 2,4%, a Madeira cresceu apenas 0,6%.

Que o emprego criado na Madeira continua absolutamente dependente do sector da construção civil e da administração pública.

Que temos sinais de abrandamento da economia, nomeadamente no consumo e compras dos cidadãos.

Que aumenta a carga fiscal sobre os madeirenses, com as receitas de IRS, IRC e IVA a aumentarem em relação a 2019.

Que o Turismo continua em queda, e representando ¼ da economia um sinal verdadeiramente preocupante e em contraciclo com o resto do País.

Que o valor inscrito no programa de recuperação de cirurgias não será suficiente para inverter o aumento das listas de espera de cirurgias.

Que continuaremos sem construção de nova habitação, não aproveitando os 700 milhões de euros disponibilizados no Orçamento de Estado no âmbito do programa 1º Direito.

Que a taxa de natalidade baixou acentuadamente apesar da propaganda dos cheques-bebé, uma das medidas bandeira da governação, e que a população residente continua a diminuir.

Que os concelhos do norte, Porto Moniz, São Vicente e Santana, bem como Porto Santo, continuarão numa espiral negativa, sem perspetivas diferenciadoras que possam atenuar o atual caminho económico e social decrescente.

Que as secretarias tuteladas pelo CDS são claramente as que têm menos peso político e orçamental. Servem para nomear assessores e servir a máquina partidária respetiva.

Que continuaremos a estar subjugados aos interesses do costume, e continuarão os crimes ambientais do costume.

Que é o pior orçamento regional apresentado por um governo liderado por Miguel Albuquerque, e que poderemos estar prestes a entrar num período de recessão, de aumento de desemprego e mais emigração.

Miguel Iglésias