Uma questão de ética

A Madeira é governada há quarenta e tal anos pelo mesmo partido e com uma democracia musculada

17 Abr 2019 / 02:00 H.

Ultimamente tem-se ouvido falar muito numa palavra desconhecida na Região Autónoma da Madeira e o que ela pode representar ainda é mais desconhecida. Referimo-nos à Ética, que volta não volta vem à maré de cima conforme as conveniências de cada um, cidadão ou partido. De repente descobre-se que o Governo da República está cheio de familiares, como se isso por si só fosse alguma coisa de mal ou de errado, ou mesmo de ilegal. Podemos dizer que quando um partido está no poder, os outros, principalmente os do arco do poder, andam sempre à procura do que de mal se faz, no seu entender. Não importa saber se é bem ou mal feito. O importante é dizer mal, para que ele caía e assim tenham hipóteses de regressar ao poder.

A Madeira é governada há quarenta e tal anos pelo mesmo partido e com uma democracia musculada, ou uma ditadura disfarçada, que permitia a existência da oposição para justificar a sua própria existência. O Jardinismo deixou o poder, falido, sem um tostão para mandar cantar um cego, com dívidas até ao pescoço e que mesmo depois de deixar de ser oculta e passou para a claridade, o Ministério Público não atuou, sendo necessário alguém exigir que o mesmo processo viesse novamente ao de cima, em vez de arquivado como tinha sido sugerido pela própria Procuradoria da República. Mesmo assim, tudo indica que esteja parado, nunca mais se ouviu falar em nada, se calhar à espera de prescrever e ser arquivado. Cinco anos é muito tempo para investigar. Outro processo que tudo indica seguirá o mesmo caminho, apesar de já haver pelo menos um arguido, será a denúncia feita pela atual Junta de Freguesia de São Martinho, no Ministério Público que também já deve ter o mesmo tempo. Cinco anos é muito tempo para investigar !!!!

Mais recentemente temos casos de um Presidente do Governo que só vai aos Concelhos da sua cor, ou dos que pretende cativar como bengalinhas futuras. No Concelho onde o próprio Governo Regional está sediado, o seu presidente ignora totalmente a autarquia, a mais classificada da nossa Região, a que mais população tem e quando em qualquer convívio se dá de caras com o Presidente da Câmara Municipal, também o ignora. Recentemente numa inauguração de um restaurante num espaço municipal, andou a Presidência a mendigar um convite aos seus proprietários, queria retirar o protagonismo que certamente o Presidente do Município do Funchal teria nessa inauguração, repetimos num espaço Municipal. Quantas vezes o Presidente do Governo Regional visitou municípios que não são da sua cor e ignorou os legítimos representantes??? Quem com ferro mata...

Mas começamos estes apontamentos com a questão dos familiares no governo, que me trouxe à memória um facto que aconteceu quando das negociações moderadas pelo General Azeredo, no Palácio de São Lourenço entre o PSD e o PS, que não havia maneia de chegarmos a consenso. Estávamos em 1975. Às tantas alguém falou no meu nome para a pasta a que sempre me dediquei e no nome do meu irmão para outra pasta. Eu disse logo que não aceitava e que o meu lugar tinha um candidato natural que era o eng.º Rui Vieira e que além disso não ficava bem, dois irmãos no mesmo governo que não era eleito, mas escolhido pelo General Azeredo. De imediato, diz uma das pessoas que lá estava em representação do PSD: Desculpe, mas não concordo, são os dois competentes, acho que devem ficar os dois...

Em relação à ética, eu prefiro a “luva branca”...

Duarte Caldeira Ferreira
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